Ah, se eu pudesse me emaranhar nos rumos de teus olhos
E deles fazer mais do que janelas,
fazer, além do vínculo de comunicação, algo meu,
com uma posse menor do que desconfiaria Romeu,
e simplesmente tê-los pelo simples respeito de amar,
e depois da explosão da Vontade, na Contemplação sem resignação me acalmar.
E contemplar, dentre outras perspectivas,
a perspectiva só tua, que já na aparência, revela-se nua e crua
para se fazer amada,
para que por conta das dores de sempre se incorporar no amor uma espada,
me frear por motivos justos, porém inimigos do meu querer,
para resultar, em qualquer investida, em mais um não... Não quero crer!
Linda és, talvez mais em minha idealização,
mas o pouco que provei me obriga a fugir para o poema e para a canção,
e assim, me expondo como não consigo deixar de fazer,
procuro, na incerteza e no erro que é ter-te em mim, um viver
em que não serás necessariamente apenas mais um prazer barato de botequim
mas que compartilhe comigo tudo que pode, no íntimo, contribuir para o meu aprender; Enfim...
Sim, sei que pareceu efêmero e abusivo,
Não, não sei acreditar que foi só impulsivo,
algo em teu sorriso já me movia ação,
algo em teu íntimo pedia a mim inovação,
e na beleza de ver sua confusa imponência aos aristocratas,
me embriaguei, me perdi, mas não renuncio o querer que me faz parecer figura ingrata,
Figura esta, que fará pela primeira vez o papel de carrasco,
e por você, poder ferir uma mulher, para exercer o que
[o gênero bruto carrega e que sabes que tenho asco.
Fiasco, no fim, é o que toda mínima inteligência pequeno burguesa que carrego contém,
e de pequeno burguês carrego mais a criação do que o orgulho por um pueril vintém,
mas, como desertor da guerra do amor,
peço a Ogum, santo guerreiro, que compreenda o ardor,
aquele que impulsiona a guerra, coisa que ele é Senhor,
mas também nos faz mudar, nas vertiginosas marés de encontrar conjunto
[e compartilhar a Cor
que carregamos no sorriso, mas escondemos na vida social,
só para fazer média, ser o 'nunca triste': o clássico babaca banal.
E empurrar com a barriga o que não sinto no carnal,
E deixar de fazer alguém sofrer, e também terminar
[por desprestigiar meu próprio carnaval.
A festa da carne, do sangue e das mentes que meu espírito pede,
Se me der essa chance, não posso afirmar o que sucede,
mas, podemos sim, amar além do que foi estabelecido,
e se não fizermos, ficará em mim cicatriz, não de amor vivido
e mal amado,
mas de um amor reprimido
e pra sempre esperado.
João Gabriel Souza Gois, 6 de outubro de 2013
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Impasse Livre
E se tem que sofrer
para viver o que quer
qual o medo, sendo já mulher,
em se ver no poder?
Não entendo,
quero entender,
fico curioso,
mas também confuso
e me perdendo nos trópicos,
tropeçando nos fusos,
me pego com meus botões e parafusos
perdidos nos tópicos
que o enigma de tua alma
me faz decifrar.
Tudo isso sem sair do meu lugar.
E quanto mais decifra,
mais devora.
Quanto mais hesita,
mais demora.
Quanto mais evita,
mais chega a hora
Em que a ansiedade
de não querer o fim da liberdade
vira a prisão.
Se fala em liberdade, mas ela é retórica
para que nos momentos de exacerbação alcoólica
finalmente uma alforria barata
se torne dor de cabeça e culpa ingrata,
que estimula, no fim, mais a fuga do amor.
Só por medo do fantasma que é a especulação da dor.
E quanto mais decifra,
mais devora.
Quanto mais hesita,
mais demora.
Quanto mais evita,
mais chega a hora
A hora que o amor líquido,
escorreu e vazou,
e por pensar tanto no pesar de outrem,
acabou por não viver nem pra si nem pra ninguém,
e de tanto se julgar aquém,
só no sofrimento e na culpa se buscou amém
e assim, com seu sedutor olhar de desdém,
fez-te triste e a mim também,
e secou a flor,
não amou, não amei,
porque o tempo encarado como inimigo
vira o destruidor de qualquer pensamento além,
de qualquer alento de quem te quer bem,
te quer assim, bem consigo,
abraçada comigo,
liberando mais esse sorriso lindo
que tanto esconde em vertiginosas culpas tortuosas.
Goza, venha, goza comigo!
Goza, que o tempo vira aliado,
e a boemia, escola - não fuga.
e a poesia, vivida no suor excitado.
para que morra a pulga,
que atrás da orelha, tirou a audição
dos saborosos e libidinosos corpos entoando canção.
João Gabriel Souza Gois, 07/09/2013
Obs: Relutei um certo tempo para postar esse poema, mas acabei cedendo... Não interessa se será mal digerido - o que, em verdade, não deveria acontecer. A arte não pode ser reprimida.
para viver o que quer
qual o medo, sendo já mulher,
em se ver no poder?
Não entendo,
quero entender,
fico curioso,
mas também confuso
e me perdendo nos trópicos,
tropeçando nos fusos,
me pego com meus botões e parafusos
perdidos nos tópicos
que o enigma de tua alma
me faz decifrar.
Tudo isso sem sair do meu lugar.
E quanto mais decifra,
mais devora.
Quanto mais hesita,
mais demora.
Quanto mais evita,
mais chega a hora
Em que a ansiedade
de não querer o fim da liberdade
vira a prisão.
Se fala em liberdade, mas ela é retórica
para que nos momentos de exacerbação alcoólica
finalmente uma alforria barata
se torne dor de cabeça e culpa ingrata,
que estimula, no fim, mais a fuga do amor.
Só por medo do fantasma que é a especulação da dor.
E quanto mais decifra,
mais devora.
Quanto mais hesita,
mais demora.
Quanto mais evita,
mais chega a hora
A hora que o amor líquido,
escorreu e vazou,
e por pensar tanto no pesar de outrem,
acabou por não viver nem pra si nem pra ninguém,
e de tanto se julgar aquém,
só no sofrimento e na culpa se buscou amém
e assim, com seu sedutor olhar de desdém,
fez-te triste e a mim também,
e secou a flor,
não amou, não amei,
porque o tempo encarado como inimigo
vira o destruidor de qualquer pensamento além,
de qualquer alento de quem te quer bem,
te quer assim, bem consigo,
abraçada comigo,
liberando mais esse sorriso lindo
que tanto esconde em vertiginosas culpas tortuosas.
Goza, venha, goza comigo!
Goza, que o tempo vira aliado,
e a boemia, escola - não fuga.
e a poesia, vivida no suor excitado.
para que morra a pulga,
que atrás da orelha, tirou a audição
dos saborosos e libidinosos corpos entoando canção.
João Gabriel Souza Gois, 07/09/2013
Obs: Relutei um certo tempo para postar esse poema, mas acabei cedendo... Não interessa se será mal digerido - o que, em verdade, não deveria acontecer. A arte não pode ser reprimida.
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
Ao Poeta da Vida
Se aos alardes já clamaste por bases sólidas
No fim, se funde e flui no tempo em liquidez,
Se o raciocínio acelera para o passional longe da lógica,
O lirismo é a redenção para a contradição de ser e criticar o pequeno-burguês.
A oxigênio-poesia, que vive flutuando no fluido que é o ar,
Só tu, sábio vasilhame, a deixa em ti escorrer,
o sal sólido das lágrimas e o espontâneo leito do gargalhar,
mostram em ti a mocidade, que sabe menos dizer do que viver.
Anacrônico no julgamento do passado,
e gênio inconformado com o passado no presente,
se irrita, arma, impõe-se como inconsequente,
por ter fé metafísica na humanidade com amor e sem fado.
E o fado português das vertiginosas ondas políticas,
não some no Partido que conserva hipocrisia,
mas os vícios de nacionalismo, em ti, vazo lírico, convertem-se em rebeldia
que agita o corpo não mais que a mente.
E no momento em que a boemia e a embriaguez ingrata
não forem suficientes para se rasgar em prosa de buteco,
ages já no escuro, roupando-se nas paredes de concreto,
para prender em rimas as valorosas sensações abstratas.
Sei bem como reages, mas nunca senti o que é ser você,
e fugindo da auto-sabotagem, te encontrei saindo da sombra
[quando finalmente voltava à escola do ser
Saía eu também, bem sabes, dessa melancolia destrutiva
E, em meio a roda de samba e das burocráticas falsidades
Fomos da molecagem à projeção ativa.
Sabemos que no fim do leito do rio da vida,
o oceano é muito maior do que nossos olhos possam ver,
mas ainda assim sonhamos com o grito que ecoa como brilho de aurora,
pois nesse mundo, só há sonhos para os que são guerreiros natos do saber.
Axé, irmão de inconformismo!
Axé para todos que fogem do egoísmo,
e são egoístas ao argumentar,
por não conseguir suportar
a simplista e programada poltrona macia que é a hierarquia...
Quem dera se com a fala embriagante
pudéssemos atingir aquele instante
de epifania das marés da brasilidade
e lembrar que o amor livre não destrói a lealdade.
Pelo contrário!
Esses outros, amigos da posse e pelo fim do orvalho
Farão o papel de otário
quando assistirem o amor emergir.
E se, nas inseguranças, dispersarmo-nos
da intensidade de interagir,
deixaremos de reagir
contra os aristocratas do capital falho.
Que falha!
Quando passa a navalha
em quem expõe a linda comunhão humana...
A cooperação, desde a política até assuntos da velha chama.
E vendo o medo
vendar os arredores de conformismo,
N'outra história, que mais bem nos identifico,
Tu, Poeta, ascenderás como filho de Xangô!
É difícil, saber se reage ou se compreende a dor,
É difícil transpor ideias de cabeças de outras épocas,
mas ainda assim, na nossa jovem vida, sem muito do percorrido em léguas,
fazemos música, bagunça... Fazemos Samba e Amor.
É difícil, saber se reage ou se compreende a dor,
mas sei que entendes que além do ardor,
existe amor,
só não se sabe onde está,
e não basta só a nós procurar,
morreremos a cavucar
e morreremos no âmago desse mar,
para compreender que não importa o que lhe dizem,
O importante é que não deixe que lhe pisem.
Gauche!
Um brinde aos Gauches que não engoliram o deleite banal
da mais nova e sem amor desordem mundial!
E se tu lutar enquanto eu filosofo bobagens,
será pela liberdade, e não pela libertinagem,
que havemos de nos encontrar!
Um brinde, Poeta. Saravá!
João Gabriel Souza Gois, Agosto/Setembro de 2013
No fim, se funde e flui no tempo em liquidez,
Se o raciocínio acelera para o passional longe da lógica,
O lirismo é a redenção para a contradição de ser e criticar o pequeno-burguês.
A oxigênio-poesia, que vive flutuando no fluido que é o ar,
Só tu, sábio vasilhame, a deixa em ti escorrer,
o sal sólido das lágrimas e o espontâneo leito do gargalhar,
mostram em ti a mocidade, que sabe menos dizer do que viver.
Anacrônico no julgamento do passado,
e gênio inconformado com o passado no presente,
se irrita, arma, impõe-se como inconsequente,
por ter fé metafísica na humanidade com amor e sem fado.
E o fado português das vertiginosas ondas políticas,
não some no Partido que conserva hipocrisia,
mas os vícios de nacionalismo, em ti, vazo lírico, convertem-se em rebeldia
que agita o corpo não mais que a mente.
E no momento em que a boemia e a embriaguez ingrata
não forem suficientes para se rasgar em prosa de buteco,
ages já no escuro, roupando-se nas paredes de concreto,
para prender em rimas as valorosas sensações abstratas.
Sei bem como reages, mas nunca senti o que é ser você,
e fugindo da auto-sabotagem, te encontrei saindo da sombra
[quando finalmente voltava à escola do ser
Saía eu também, bem sabes, dessa melancolia destrutiva
E, em meio a roda de samba e das burocráticas falsidades
Fomos da molecagem à projeção ativa.
Sabemos que no fim do leito do rio da vida,
o oceano é muito maior do que nossos olhos possam ver,
mas ainda assim sonhamos com o grito que ecoa como brilho de aurora,
pois nesse mundo, só há sonhos para os que são guerreiros natos do saber.
Axé, irmão de inconformismo!
Axé para todos que fogem do egoísmo,
e são egoístas ao argumentar,
por não conseguir suportar
a simplista e programada poltrona macia que é a hierarquia...
Quem dera se com a fala embriagante
pudéssemos atingir aquele instante
de epifania das marés da brasilidade
e lembrar que o amor livre não destrói a lealdade.
Pelo contrário!
Esses outros, amigos da posse e pelo fim do orvalho
Farão o papel de otário
quando assistirem o amor emergir.
E se, nas inseguranças, dispersarmo-nos
da intensidade de interagir,
deixaremos de reagir
contra os aristocratas do capital falho.
Que falha!
Quando passa a navalha
em quem expõe a linda comunhão humana...
A cooperação, desde a política até assuntos da velha chama.
E vendo o medo
vendar os arredores de conformismo,
N'outra história, que mais bem nos identifico,
Tu, Poeta, ascenderás como filho de Xangô!
É difícil, saber se reage ou se compreende a dor,
É difícil transpor ideias de cabeças de outras épocas,
mas ainda assim, na nossa jovem vida, sem muito do percorrido em léguas,
fazemos música, bagunça... Fazemos Samba e Amor.
É difícil, saber se reage ou se compreende a dor,
mas sei que entendes que além do ardor,
existe amor,
só não se sabe onde está,
e não basta só a nós procurar,
morreremos a cavucar
e morreremos no âmago desse mar,
para compreender que não importa o que lhe dizem,
O importante é que não deixe que lhe pisem.
Gauche!
Um brinde aos Gauches que não engoliram o deleite banal
da mais nova e sem amor desordem mundial!
E se tu lutar enquanto eu filosofo bobagens,
será pela liberdade, e não pela libertinagem,
que havemos de nos encontrar!
Um brinde, Poeta. Saravá!
João Gabriel Souza Gois, Agosto/Setembro de 2013
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Limpeza lírica
Venha até mim humildade
antes que eu passe da idade
de aprender a renascer
e deixe de renunciar à arrogância,
caia nos venenosos véus da ganância
e morra por dentro
por querer esbanjar pelo peito
pseudo-conhecimento e nenhum respeito.
Venha e me impeça de esbravejar,
impeça de esbanjar e ostentar,
e se assim, num barril, como um cão, continue eu a ladrar,
será esse - com lirismo in praxis - o meu lar doce lar.
Venha e me deixe libertar o instinto animal,
suspender as lodosas e imponentes construções de viver em meio social,
para que nunca desatente do lado espiritual
que no fim religa em legião
o que a filosofia e a religião
não encontram de ponto de encontro entre o vários e nulos Eu.
Zagreu!
Espalhei os olhos que me guiavam por arrogância,
para falar bonito, me mostrar com petulância,
e durante a limpeza, vem a relutância,
esta que me faz retomar em última instância:
É minha a ação! É meu o pensamento!
Mas não posso, mesmo quando - prepotente - tento.
Não posso guiar as energias do mundo!
Tomei posse de minhas ações!
Tomei posse de meu pensamento!
Mas não são minhas as razões
que fazem ser tão prazeroso o contato com o vento.
Valei-me Deus! Alá! Krishna e Tupã!
Obrigado - pela chuva - pela briga e pela bela comunhão; Xangô e Iansã.
Façam todos a mim ter a noção nada profana
de me redimir perante a natureza e perante a cultura humana.
Pois foi pedante querer ser o simulacro do mundo
e se desperdicei - no acidente ou no destino - a guia de sentimento sincero,
sei que o quê que eu espero
só é beber mais da água do amor, da humildade e da esperança,
para que através do atabaque o espírito guie a dança
da vida vivida aqui e agora mas também com o prazer e a dor da lembrança.
Afogue e esquente,
refogue e apimente
a mocidade,
para que não se recolha na maldade
e finalmente cante na chuva, ocupando a cidade.
Afogue o lixo e os coitados,
seja inimiga dos homens-transito alienados,
mas por favor não me negue o recado
de que naquela epifania teria eu amado ou injuriado.
Sábia são vocês, Iansã e Nanã, que na chuva e na lama,
não tenham dispensado,
que a injúria e o amor, ambas à beira da cama,
são o mesmo em substância: Vínculo único, oposto e ainda assim misturado.
Oxalá! Humildade!
para que eu voe desse momento em que cismo...
Voe por cima, mas não ignore o abismo
e me redima de uma vez do pecado do intelectualismo.
Epa Hei, rainha chuvosa!
(mistérios dionisíacos implícitos, não minto)
Kaô Kabecilé, justiça vistosa!
(Amo, erro, vivo e sinto)
E como sinto...
João Gabriel Souza Gois, 23 de setembro de 2013
antes que eu passe da idade
de aprender a renascer
e deixe de renunciar à arrogância,
caia nos venenosos véus da ganância
e morra por dentro
por querer esbanjar pelo peito
pseudo-conhecimento e nenhum respeito.
Venha e me impeça de esbravejar,
impeça de esbanjar e ostentar,
e se assim, num barril, como um cão, continue eu a ladrar,
será esse - com lirismo in praxis - o meu lar doce lar.
Venha e me deixe libertar o instinto animal,
suspender as lodosas e imponentes construções de viver em meio social,
para que nunca desatente do lado espiritual
que no fim religa em legião
o que a filosofia e a religião
não encontram de ponto de encontro entre o vários e nulos Eu.
Zagreu!
Espalhei os olhos que me guiavam por arrogância,
para falar bonito, me mostrar com petulância,
e durante a limpeza, vem a relutância,
esta que me faz retomar em última instância:
É minha a ação! É meu o pensamento!
Mas não posso, mesmo quando - prepotente - tento.
Não posso guiar as energias do mundo!
Tomei posse de minhas ações!
Tomei posse de meu pensamento!
Mas não são minhas as razões
que fazem ser tão prazeroso o contato com o vento.
Valei-me Deus! Alá! Krishna e Tupã!
Obrigado - pela chuva - pela briga e pela bela comunhão; Xangô e Iansã.
Façam todos a mim ter a noção nada profana
de me redimir perante a natureza e perante a cultura humana.
Pois foi pedante querer ser o simulacro do mundo
e se desperdicei - no acidente ou no destino - a guia de sentimento sincero,
sei que o quê que eu espero
só é beber mais da água do amor, da humildade e da esperança,
para que através do atabaque o espírito guie a dança
da vida vivida aqui e agora mas também com o prazer e a dor da lembrança.
Afogue e esquente,
refogue e apimente
a mocidade,
para que não se recolha na maldade
e finalmente cante na chuva, ocupando a cidade.
Afogue o lixo e os coitados,
seja inimiga dos homens-transito alienados,
mas por favor não me negue o recado
de que naquela epifania teria eu amado ou injuriado.
Sábia são vocês, Iansã e Nanã, que na chuva e na lama,
não tenham dispensado,
que a injúria e o amor, ambas à beira da cama,
são o mesmo em substância: Vínculo único, oposto e ainda assim misturado.
Oxalá! Humildade!
para que eu voe desse momento em que cismo...
Voe por cima, mas não ignore o abismo
e me redima de uma vez do pecado do intelectualismo.
Epa Hei, rainha chuvosa!
(mistérios dionisíacos implícitos, não minto)
Kaô Kabecilé, justiça vistosa!
(Amo, erro, vivo e sinto)
E como sinto...
João Gabriel Souza Gois, 23 de setembro de 2013
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Anthropos
Se de ontem partir,
onde era parte mar,
parte rio - saciando a sede,
se encontra energia além dos olhos.
Sede do repartir,
onde ande o espírito ao coletivo,
mas livre também para não socializar a brutalidade.
Vejo em mim reflexos conscientes
de ânimos dissidentes com os vários conceitos de verdade.
Vejo no ideal impossível e translucido à mente
a vaga e vã ideia de estabilidade.
Se de onde parti,
comecei, independentemente do absoluto,
com relativos e proporcionais setenta porcento d'água...
E não é a toa que há sal na lágrima e no suor
nem sede de doçura no rio-tempo ao meu redor.
Deixe a subversão suspender a normativa,
ponha em amor Oxum e Jurema,
e verá que não há em viciados e humanos emblemas
o que as árvores carregam de poesia sem poema.
E as árvores que nos permitem ar e beleza,
raíz e comida na mesa,
só crescem com... Água.
A Lua balança a maré
que afoga o bêbado.
O bêbado chora salgado
e dilui a lágrima na doce saliva querente.
Um filho da cultura mais antiga e imponente:
Dionísio Zagreu, espalhado e ridente.
O líquido é nossa forma
e a distância entre as Águas de Março
e a Água de Beber
não podem preceder
o disforme - apesar de diferente - em comum.
Nossos diferentes conteúdos
não mudam nossa comum desforma...
Só precisamos nos entender de uma vez,
para fazer do Amor o canal sem cano
e transformar a humanidade em um embriagante e salobro oceano.
O uno intermédio entre mim e tu,
Saravá! Axé! Ubuntu!
João Gabriel Souza Gois, 27 de agosto de 2013
OBS: Não postei quando escrevi e não me lembro muito bem o motivo, mas em meio a umas ultimas reflexões e escritos, é um poema bem conveniente e que, apesar de meu, gosto muito.
onde era parte mar,
parte rio - saciando a sede,
se encontra energia além dos olhos.
Sede do repartir,
onde ande o espírito ao coletivo,
mas livre também para não socializar a brutalidade.
Vejo em mim reflexos conscientes
de ânimos dissidentes com os vários conceitos de verdade.
Vejo no ideal impossível e translucido à mente
a vaga e vã ideia de estabilidade.
Se de onde parti,
comecei, independentemente do absoluto,
com relativos e proporcionais setenta porcento d'água...
E não é a toa que há sal na lágrima e no suor
nem sede de doçura no rio-tempo ao meu redor.
Deixe a subversão suspender a normativa,
ponha em amor Oxum e Jurema,
e verá que não há em viciados e humanos emblemas
o que as árvores carregam de poesia sem poema.
E as árvores que nos permitem ar e beleza,
raíz e comida na mesa,
só crescem com... Água.
A Lua balança a maré
que afoga o bêbado.
O bêbado chora salgado
e dilui a lágrima na doce saliva querente.
Um filho da cultura mais antiga e imponente:
Dionísio Zagreu, espalhado e ridente.
O líquido é nossa forma
e a distância entre as Águas de Março
e a Água de Beber
não podem preceder
o disforme - apesar de diferente - em comum.
Nossos diferentes conteúdos
não mudam nossa comum desforma...
Só precisamos nos entender de uma vez,
para fazer do Amor o canal sem cano
e transformar a humanidade em um embriagante e salobro oceano.
O uno intermédio entre mim e tu,
Saravá! Axé! Ubuntu!
João Gabriel Souza Gois, 27 de agosto de 2013
OBS: Não postei quando escrevi e não me lembro muito bem o motivo, mas em meio a umas ultimas reflexões e escritos, é um poema bem conveniente e que, apesar de meu, gosto muito.
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
À filha do mundo
Ando meio atrasado com o que não ligo,
mas ainda assim vejo no aleatório um descompasso comigo,
e, o que sempre me fez lento, calmo, reflexivo,
me deixou a parte, leso, diminutivo.
O que será que há no espírito
que mesmo quando se sabendo organizado,
rasurando e mensurando cada significado,
ainda insiste no que sabe que não o alimenta?
É assim, que mesmo acelerada a mente,
as palavras saem lentas,
pois a legitimidade do que se diz,
não concorda com o direito de imaginar no que se pensa.
Há, no fundo de tudo, uma cabeça densa,
que flui menos categoricamente,
quando os cantos, discursos e o entorno do ambiente,
confluem numa convivência mais calorosa e menos tensa.
A pós modernidade, e seu camelo querendo ser leão.
A foz irreconhecível da infalivelmente errônea especulação.
Atroz rimas de covarde, que já se sentindo com a devida benção
ainda se topa, no meio das pedras do caminho e dos paus esculpidos
em forma de cara (nos rostos vizinhos) com a auto-depreciação.
Se diminui, não necessariamente por opção,
mas enfim, não quer ser Deus,
quer conhecimento por sua natureza,
quer sorrisos, para fluir sem medo na correnteza,
quer menos jaulas da civilização e mais carícia às tigresas,
mas a antropocêntrica mania de frear, com a Moral-represa,
o rio lindo dos encontros e desencontros da humanidade
me fazem voltar a mim culpa, veneno dos fracos, e não responsabilidade.
Saibam que daqui, com minha pequena canoa chamada individualidade,
já observei vários cenários da vida agitada de mar em instabilidade,
e só absorvo tanto da metáfora da maritimidade,
quando não consigo diferenciar o refúgio lírico de uma tempestade.
Mais que espelho, crio vozes que em mim ainda estavam retidas,
e, em meio às imagens e significações, lembro de trechos da vida,
sempre permeio, nas vertiginosas e embriagadas neblinas,
um momento cinza, e mais tarde, um de "Terra a vista" (cheia de árvores floridas).
E quando me topo, como ser do Tempo, mas também como Eu.
Quando me reconheço em uma dupla ontologia de Ser e Devir.
Quando extraio o que posso de Nietzsche, mas também de Hegel,
de Sartre e de Schopenhauer,
ainda assim, em meio as meras e pequenas banalidades,
me engano com uma necessidade,
e fico à deriva.
Nem se sabe mais se falo do Rio, do Mar, da Chuva ou dos Aquíferos.
Sou tão água, que não nacionalizo fonte, não classifico cientificamente seu tipo.
Sou tão não e ao mesmo tempo sim: um moderno líquido, pós moderno mórbido-vívido,
que nessas fúnebres ressacas de mar agitado,
e nas outras correntes de mudança de rio calmo e habitado,
percebo que o grande hiato entre mim e minha arte
na verdade só existe
pela velha concepção que persiste,
pois o vazio do ser materialista e historicamente egocentrado,
se revela entre ele e o próximo numa distância tão grande de mentes
e tão pequena de espaço,
que a cada passo no chão cinza,
minha alma que já viu cor,
se lembra apenas do que quis por
como prioridade,
e eu não sei se por meninice,
ou por desonestidade,
me agarro num galho das margens,
paro um pouco, olho as paisagens,
e derrubo um pouco de mim em palavras,
vejo nos poemas minhas pequenas larvas
e não consigo dissociar em palavras de distinção,
o viver, o criar, o pensar, o querer e a arte em ação.
É tudo tão eu!
Mas nada disso é meu.
Preencho minha individualidade,
mas presto serviço à humanidade.
Seja na canção alegre e salobra do ridente,
ou no alto-mar do olhar perdido do ainda vivo moribundo,
a arte sai de um ser e de um tempo presente,
e mal foi concebida, já é filha do mundo.
João Gabriel Souza Gois, 20 de setembro de 2013
mas ainda assim vejo no aleatório um descompasso comigo,
e, o que sempre me fez lento, calmo, reflexivo,
me deixou a parte, leso, diminutivo.
O que será que há no espírito
que mesmo quando se sabendo organizado,
rasurando e mensurando cada significado,
ainda insiste no que sabe que não o alimenta?
É assim, que mesmo acelerada a mente,
as palavras saem lentas,
pois a legitimidade do que se diz,
não concorda com o direito de imaginar no que se pensa.
Há, no fundo de tudo, uma cabeça densa,
que flui menos categoricamente,
quando os cantos, discursos e o entorno do ambiente,
confluem numa convivência mais calorosa e menos tensa.
A pós modernidade, e seu camelo querendo ser leão.
A foz irreconhecível da infalivelmente errônea especulação.
Atroz rimas de covarde, que já se sentindo com a devida benção
ainda se topa, no meio das pedras do caminho e dos paus esculpidos
em forma de cara (nos rostos vizinhos) com a auto-depreciação.
Se diminui, não necessariamente por opção,
mas enfim, não quer ser Deus,
quer conhecimento por sua natureza,
quer sorrisos, para fluir sem medo na correnteza,
quer menos jaulas da civilização e mais carícia às tigresas,
mas a antropocêntrica mania de frear, com a Moral-represa,
o rio lindo dos encontros e desencontros da humanidade
me fazem voltar a mim culpa, veneno dos fracos, e não responsabilidade.
Saibam que daqui, com minha pequena canoa chamada individualidade,
já observei vários cenários da vida agitada de mar em instabilidade,
e só absorvo tanto da metáfora da maritimidade,
quando não consigo diferenciar o refúgio lírico de uma tempestade.
Mais que espelho, crio vozes que em mim ainda estavam retidas,
e, em meio às imagens e significações, lembro de trechos da vida,
sempre permeio, nas vertiginosas e embriagadas neblinas,
um momento cinza, e mais tarde, um de "Terra a vista" (cheia de árvores floridas).
E quando me topo, como ser do Tempo, mas também como Eu.
Quando me reconheço em uma dupla ontologia de Ser e Devir.
Quando extraio o que posso de Nietzsche, mas também de Hegel,
de Sartre e de Schopenhauer,
ainda assim, em meio as meras e pequenas banalidades,
me engano com uma necessidade,
e fico à deriva.
Nem se sabe mais se falo do Rio, do Mar, da Chuva ou dos Aquíferos.
Sou tão água, que não nacionalizo fonte, não classifico cientificamente seu tipo.
Sou tão não e ao mesmo tempo sim: um moderno líquido, pós moderno mórbido-vívido,
que nessas fúnebres ressacas de mar agitado,
e nas outras correntes de mudança de rio calmo e habitado,
percebo que o grande hiato entre mim e minha arte
na verdade só existe
pela velha concepção que persiste,
pois o vazio do ser materialista e historicamente egocentrado,
se revela entre ele e o próximo numa distância tão grande de mentes
e tão pequena de espaço,
que a cada passo no chão cinza,
minha alma que já viu cor,
se lembra apenas do que quis por
como prioridade,
e eu não sei se por meninice,
ou por desonestidade,
me agarro num galho das margens,
paro um pouco, olho as paisagens,
e derrubo um pouco de mim em palavras,
vejo nos poemas minhas pequenas larvas
e não consigo dissociar em palavras de distinção,
o viver, o criar, o pensar, o querer e a arte em ação.
É tudo tão eu!
Mas nada disso é meu.
Preencho minha individualidade,
mas presto serviço à humanidade.
Seja na canção alegre e salobra do ridente,
ou no alto-mar do olhar perdido do ainda vivo moribundo,
a arte sai de um ser e de um tempo presente,
e mal foi concebida, já é filha do mundo.
João Gabriel Souza Gois, 20 de setembro de 2013
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
O Astro-Ego visto pelo pequeno Eu, pela Objetiva.
Sempre vi o babaca que via o mundo correr
e que não conseguia esconder o que quer.
E ele se sustentou, pôs a faca na mão,
cortou o queijo, ficou em pé.
Não dependia mais das coisas só mundanas,
mas só se acabava entre sonhos românticos nas praias e savanas.
E nas coisas que tangenciam o mundo,
no abstrato e no metafísico, viu um fluxo impossível de ser estudado,
mas com o badalado espírito chacoalhado,
voltou ao chão, ignorou o fado,
e com o pé no chão, mais fortemente pressionado,
se recolheu no cérebro com a ideação estimulada por querer um saber apaixonado.
Assim, com o Devir tendo tantas cabeças de possibilidade,
e o Ser como o que influencia, pelas escolhas, na probabilidade,
se viu no fio da navalha e com pouca idade,
para sustentar que se sustentava em pé.
Mas se forçando a ser sólido como nada é,
bastou um pouco de paixão, perfume e calor de mulher,
para desaguar na modernidade líquida,
e perceber que a mocidade, apesar de vívida,
não norteia, com 'Télos', como queriam os otimistas,
nem bobeia na Vontade, como insistia o gênio pessimista,
mas escolhe, nesse fluxo interminável,
um momento lógico e outro amável,
e não vendo lógica nem amor na maldade cotidiana e implacável,
se perdeu na fuga embriagada e não na boemia embalada,
e sem perdão, noção, varinha de condão e fada,
os contos infanto-juvenis são vistos como uma péssima piada,
e olhando, sem saber o que dos outros está em si, e o que de si é o puro nada,
viu o auto-flagelo como saída para glorificar a mágoa.
Depois, mutilado e com os pedaços de si dispersos à jusante,
encontrou a fenomenológica e artística consciência transcendental,
e Husserl, em um pesadelo, lhe disse, com tom abissal:
'Volte a ter controle do corpo e da mente mas saiba no final,
que a consciência que é para si, é limitada ao nervo, ao sangue, ao tato e à intuição animal
e que o espírito é o ponto de intersecção entre os valores que nunca têm raiz só individual,
e ele se escapa, não no auto-flagelo,
mas sim quando, como bruto animal, sabes que está certo
[mas hesita, ano a ano, a destroçar em pedaços o Soldado Amarelo.'
O Soldado Amarelo que resta em si,
A Lei do prussiano super-ego,
A Punhalada no peito do Orgulho Macho-fétido,
que deixa um rio reprimido em represa,
pra conveniência do luxo de quem come sobremesa,
e faz do espírito do tempo e do tempo aquoso;
do intuito, experiência, libido e almoço,
da sede, do amor, da lágrima e da convivência:
Um bruto, incondicional e moralista pecado.
Ah, como é bom um amor recíproco e amado!
Livre e responsável,
de mão quente e afável,
intimidade, confusões e beijo molhado.
E que no encontro das almas,
se encontre coragem e calma,
para destruir o que resta de vírus do tempo:
O olhar longínquo, perdido
triste e reprimido
do destrutivo e gratuito desalento.
João Gabriel Souza Gois, 11 de setembro de 2013
e que não conseguia esconder o que quer.
E ele se sustentou, pôs a faca na mão,
cortou o queijo, ficou em pé.
Não dependia mais das coisas só mundanas,
mas só se acabava entre sonhos românticos nas praias e savanas.
E nas coisas que tangenciam o mundo,
no abstrato e no metafísico, viu um fluxo impossível de ser estudado,
mas com o badalado espírito chacoalhado,
voltou ao chão, ignorou o fado,
e com o pé no chão, mais fortemente pressionado,
se recolheu no cérebro com a ideação estimulada por querer um saber apaixonado.
Assim, com o Devir tendo tantas cabeças de possibilidade,
e o Ser como o que influencia, pelas escolhas, na probabilidade,
se viu no fio da navalha e com pouca idade,
para sustentar que se sustentava em pé.
Mas se forçando a ser sólido como nada é,
bastou um pouco de paixão, perfume e calor de mulher,
para desaguar na modernidade líquida,
e perceber que a mocidade, apesar de vívida,
não norteia, com 'Télos', como queriam os otimistas,
nem bobeia na Vontade, como insistia o gênio pessimista,
mas escolhe, nesse fluxo interminável,
um momento lógico e outro amável,
e não vendo lógica nem amor na maldade cotidiana e implacável,
se perdeu na fuga embriagada e não na boemia embalada,
e sem perdão, noção, varinha de condão e fada,
os contos infanto-juvenis são vistos como uma péssima piada,
e olhando, sem saber o que dos outros está em si, e o que de si é o puro nada,
viu o auto-flagelo como saída para glorificar a mágoa.
Depois, mutilado e com os pedaços de si dispersos à jusante,
encontrou a fenomenológica e artística consciência transcendental,
e Husserl, em um pesadelo, lhe disse, com tom abissal:
'Volte a ter controle do corpo e da mente mas saiba no final,
que a consciência que é para si, é limitada ao nervo, ao sangue, ao tato e à intuição animal
e que o espírito é o ponto de intersecção entre os valores que nunca têm raiz só individual,
e ele se escapa, não no auto-flagelo,
mas sim quando, como bruto animal, sabes que está certo
[mas hesita, ano a ano, a destroçar em pedaços o Soldado Amarelo.'
O Soldado Amarelo que resta em si,
A Lei do prussiano super-ego,
A Punhalada no peito do Orgulho Macho-fétido,
que deixa um rio reprimido em represa,
pra conveniência do luxo de quem come sobremesa,
e faz do espírito do tempo e do tempo aquoso;
do intuito, experiência, libido e almoço,
da sede, do amor, da lágrima e da convivência:
Um bruto, incondicional e moralista pecado.
Ah, como é bom um amor recíproco e amado!
Livre e responsável,
de mão quente e afável,
intimidade, confusões e beijo molhado.
E que no encontro das almas,
se encontre coragem e calma,
para destruir o que resta de vírus do tempo:
O olhar longínquo, perdido
triste e reprimido
do destrutivo e gratuito desalento.
João Gabriel Souza Gois, 11 de setembro de 2013
Assinar:
Postagens (Atom)