Venha até mim humildade
antes que eu passe da idade
de aprender a renascer
e deixe de renunciar à arrogância,
caia nos venenosos véus da ganância
e morra por dentro
por querer esbanjar pelo peito
pseudo-conhecimento e nenhum respeito.
Venha e me impeça de esbravejar,
impeça de esbanjar e ostentar,
e se assim, num barril, como um cão, continue eu a ladrar,
será esse - com lirismo in praxis - o meu lar doce lar.
Venha e me deixe libertar o instinto animal,
suspender as lodosas e imponentes construções de viver em meio social,
para que nunca desatente do lado espiritual
que no fim religa em legião
o que a filosofia e a religião
não encontram de ponto de encontro entre o vários e nulos Eu.
Zagreu!
Espalhei os olhos que me guiavam por arrogância,
para falar bonito, me mostrar com petulância,
e durante a limpeza, vem a relutância,
esta que me faz retomar em última instância:
É minha a ação! É meu o pensamento!
Mas não posso, mesmo quando - prepotente - tento.
Não posso guiar as energias do mundo!
Tomei posse de minhas ações!
Tomei posse de meu pensamento!
Mas não são minhas as razões
que fazem ser tão prazeroso o contato com o vento.
Valei-me Deus! Alá! Krishna e Tupã!
Obrigado - pela chuva - pela briga e pela bela comunhão; Xangô e Iansã.
Façam todos a mim ter a noção nada profana
de me redimir perante a natureza e perante a cultura humana.
Pois foi pedante querer ser o simulacro do mundo
e se desperdicei - no acidente ou no destino - a guia de sentimento sincero,
sei que o quê que eu espero
só é beber mais da água do amor, da humildade e da esperança,
para que através do atabaque o espírito guie a dança
da vida vivida aqui e agora mas também com o prazer e a dor da lembrança.
Afogue e esquente,
refogue e apimente
a mocidade,
para que não se recolha na maldade
e finalmente cante na chuva, ocupando a cidade.
Afogue o lixo e os coitados,
seja inimiga dos homens-transito alienados,
mas por favor não me negue o recado
de que naquela epifania teria eu amado ou injuriado.
Sábia são vocês, Iansã e Nanã, que na chuva e na lama,
não tenham dispensado,
que a injúria e o amor, ambas à beira da cama,
são o mesmo em substância: Vínculo único, oposto e ainda assim misturado.
Oxalá! Humildade!
para que eu voe desse momento em que cismo...
Voe por cima, mas não ignore o abismo
e me redima de uma vez do pecado do intelectualismo.
Epa Hei, rainha chuvosa!
(mistérios dionisíacos implícitos, não minto)
Kaô Kabecilé, justiça vistosa!
(Amo, erro, vivo e sinto)
E como sinto...
João Gabriel Souza Gois, 23 de setembro de 2013
terça-feira, 15 de outubro de 2013
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Anthropos
Se de ontem partir,
onde era parte mar,
parte rio - saciando a sede,
se encontra energia além dos olhos.
Sede do repartir,
onde ande o espírito ao coletivo,
mas livre também para não socializar a brutalidade.
Vejo em mim reflexos conscientes
de ânimos dissidentes com os vários conceitos de verdade.
Vejo no ideal impossível e translucido à mente
a vaga e vã ideia de estabilidade.
Se de onde parti,
comecei, independentemente do absoluto,
com relativos e proporcionais setenta porcento d'água...
E não é a toa que há sal na lágrima e no suor
nem sede de doçura no rio-tempo ao meu redor.
Deixe a subversão suspender a normativa,
ponha em amor Oxum e Jurema,
e verá que não há em viciados e humanos emblemas
o que as árvores carregam de poesia sem poema.
E as árvores que nos permitem ar e beleza,
raíz e comida na mesa,
só crescem com... Água.
A Lua balança a maré
que afoga o bêbado.
O bêbado chora salgado
e dilui a lágrima na doce saliva querente.
Um filho da cultura mais antiga e imponente:
Dionísio Zagreu, espalhado e ridente.
O líquido é nossa forma
e a distância entre as Águas de Março
e a Água de Beber
não podem preceder
o disforme - apesar de diferente - em comum.
Nossos diferentes conteúdos
não mudam nossa comum desforma...
Só precisamos nos entender de uma vez,
para fazer do Amor o canal sem cano
e transformar a humanidade em um embriagante e salobro oceano.
O uno intermédio entre mim e tu,
Saravá! Axé! Ubuntu!
João Gabriel Souza Gois, 27 de agosto de 2013
OBS: Não postei quando escrevi e não me lembro muito bem o motivo, mas em meio a umas ultimas reflexões e escritos, é um poema bem conveniente e que, apesar de meu, gosto muito.
onde era parte mar,
parte rio - saciando a sede,
se encontra energia além dos olhos.
Sede do repartir,
onde ande o espírito ao coletivo,
mas livre também para não socializar a brutalidade.
Vejo em mim reflexos conscientes
de ânimos dissidentes com os vários conceitos de verdade.
Vejo no ideal impossível e translucido à mente
a vaga e vã ideia de estabilidade.
Se de onde parti,
comecei, independentemente do absoluto,
com relativos e proporcionais setenta porcento d'água...
E não é a toa que há sal na lágrima e no suor
nem sede de doçura no rio-tempo ao meu redor.
Deixe a subversão suspender a normativa,
ponha em amor Oxum e Jurema,
e verá que não há em viciados e humanos emblemas
o que as árvores carregam de poesia sem poema.
E as árvores que nos permitem ar e beleza,
raíz e comida na mesa,
só crescem com... Água.
A Lua balança a maré
que afoga o bêbado.
O bêbado chora salgado
e dilui a lágrima na doce saliva querente.
Um filho da cultura mais antiga e imponente:
Dionísio Zagreu, espalhado e ridente.
O líquido é nossa forma
e a distância entre as Águas de Março
e a Água de Beber
não podem preceder
o disforme - apesar de diferente - em comum.
Nossos diferentes conteúdos
não mudam nossa comum desforma...
Só precisamos nos entender de uma vez,
para fazer do Amor o canal sem cano
e transformar a humanidade em um embriagante e salobro oceano.
O uno intermédio entre mim e tu,
Saravá! Axé! Ubuntu!
João Gabriel Souza Gois, 27 de agosto de 2013
OBS: Não postei quando escrevi e não me lembro muito bem o motivo, mas em meio a umas ultimas reflexões e escritos, é um poema bem conveniente e que, apesar de meu, gosto muito.
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
À filha do mundo
Ando meio atrasado com o que não ligo,
mas ainda assim vejo no aleatório um descompasso comigo,
e, o que sempre me fez lento, calmo, reflexivo,
me deixou a parte, leso, diminutivo.
O que será que há no espírito
que mesmo quando se sabendo organizado,
rasurando e mensurando cada significado,
ainda insiste no que sabe que não o alimenta?
É assim, que mesmo acelerada a mente,
as palavras saem lentas,
pois a legitimidade do que se diz,
não concorda com o direito de imaginar no que se pensa.
Há, no fundo de tudo, uma cabeça densa,
que flui menos categoricamente,
quando os cantos, discursos e o entorno do ambiente,
confluem numa convivência mais calorosa e menos tensa.
A pós modernidade, e seu camelo querendo ser leão.
A foz irreconhecível da infalivelmente errônea especulação.
Atroz rimas de covarde, que já se sentindo com a devida benção
ainda se topa, no meio das pedras do caminho e dos paus esculpidos
em forma de cara (nos rostos vizinhos) com a auto-depreciação.
Se diminui, não necessariamente por opção,
mas enfim, não quer ser Deus,
quer conhecimento por sua natureza,
quer sorrisos, para fluir sem medo na correnteza,
quer menos jaulas da civilização e mais carícia às tigresas,
mas a antropocêntrica mania de frear, com a Moral-represa,
o rio lindo dos encontros e desencontros da humanidade
me fazem voltar a mim culpa, veneno dos fracos, e não responsabilidade.
Saibam que daqui, com minha pequena canoa chamada individualidade,
já observei vários cenários da vida agitada de mar em instabilidade,
e só absorvo tanto da metáfora da maritimidade,
quando não consigo diferenciar o refúgio lírico de uma tempestade.
Mais que espelho, crio vozes que em mim ainda estavam retidas,
e, em meio às imagens e significações, lembro de trechos da vida,
sempre permeio, nas vertiginosas e embriagadas neblinas,
um momento cinza, e mais tarde, um de "Terra a vista" (cheia de árvores floridas).
E quando me topo, como ser do Tempo, mas também como Eu.
Quando me reconheço em uma dupla ontologia de Ser e Devir.
Quando extraio o que posso de Nietzsche, mas também de Hegel,
de Sartre e de Schopenhauer,
ainda assim, em meio as meras e pequenas banalidades,
me engano com uma necessidade,
e fico à deriva.
Nem se sabe mais se falo do Rio, do Mar, da Chuva ou dos Aquíferos.
Sou tão água, que não nacionalizo fonte, não classifico cientificamente seu tipo.
Sou tão não e ao mesmo tempo sim: um moderno líquido, pós moderno mórbido-vívido,
que nessas fúnebres ressacas de mar agitado,
e nas outras correntes de mudança de rio calmo e habitado,
percebo que o grande hiato entre mim e minha arte
na verdade só existe
pela velha concepção que persiste,
pois o vazio do ser materialista e historicamente egocentrado,
se revela entre ele e o próximo numa distância tão grande de mentes
e tão pequena de espaço,
que a cada passo no chão cinza,
minha alma que já viu cor,
se lembra apenas do que quis por
como prioridade,
e eu não sei se por meninice,
ou por desonestidade,
me agarro num galho das margens,
paro um pouco, olho as paisagens,
e derrubo um pouco de mim em palavras,
vejo nos poemas minhas pequenas larvas
e não consigo dissociar em palavras de distinção,
o viver, o criar, o pensar, o querer e a arte em ação.
É tudo tão eu!
Mas nada disso é meu.
Preencho minha individualidade,
mas presto serviço à humanidade.
Seja na canção alegre e salobra do ridente,
ou no alto-mar do olhar perdido do ainda vivo moribundo,
a arte sai de um ser e de um tempo presente,
e mal foi concebida, já é filha do mundo.
João Gabriel Souza Gois, 20 de setembro de 2013
mas ainda assim vejo no aleatório um descompasso comigo,
e, o que sempre me fez lento, calmo, reflexivo,
me deixou a parte, leso, diminutivo.
O que será que há no espírito
que mesmo quando se sabendo organizado,
rasurando e mensurando cada significado,
ainda insiste no que sabe que não o alimenta?
É assim, que mesmo acelerada a mente,
as palavras saem lentas,
pois a legitimidade do que se diz,
não concorda com o direito de imaginar no que se pensa.
Há, no fundo de tudo, uma cabeça densa,
que flui menos categoricamente,
quando os cantos, discursos e o entorno do ambiente,
confluem numa convivência mais calorosa e menos tensa.
A pós modernidade, e seu camelo querendo ser leão.
A foz irreconhecível da infalivelmente errônea especulação.
Atroz rimas de covarde, que já se sentindo com a devida benção
ainda se topa, no meio das pedras do caminho e dos paus esculpidos
em forma de cara (nos rostos vizinhos) com a auto-depreciação.
Se diminui, não necessariamente por opção,
mas enfim, não quer ser Deus,
quer conhecimento por sua natureza,
quer sorrisos, para fluir sem medo na correnteza,
quer menos jaulas da civilização e mais carícia às tigresas,
mas a antropocêntrica mania de frear, com a Moral-represa,
o rio lindo dos encontros e desencontros da humanidade
me fazem voltar a mim culpa, veneno dos fracos, e não responsabilidade.
Saibam que daqui, com minha pequena canoa chamada individualidade,
já observei vários cenários da vida agitada de mar em instabilidade,
e só absorvo tanto da metáfora da maritimidade,
quando não consigo diferenciar o refúgio lírico de uma tempestade.
Mais que espelho, crio vozes que em mim ainda estavam retidas,
e, em meio às imagens e significações, lembro de trechos da vida,
sempre permeio, nas vertiginosas e embriagadas neblinas,
um momento cinza, e mais tarde, um de "Terra a vista" (cheia de árvores floridas).
E quando me topo, como ser do Tempo, mas também como Eu.
Quando me reconheço em uma dupla ontologia de Ser e Devir.
Quando extraio o que posso de Nietzsche, mas também de Hegel,
de Sartre e de Schopenhauer,
ainda assim, em meio as meras e pequenas banalidades,
me engano com uma necessidade,
e fico à deriva.
Nem se sabe mais se falo do Rio, do Mar, da Chuva ou dos Aquíferos.
Sou tão água, que não nacionalizo fonte, não classifico cientificamente seu tipo.
Sou tão não e ao mesmo tempo sim: um moderno líquido, pós moderno mórbido-vívido,
que nessas fúnebres ressacas de mar agitado,
e nas outras correntes de mudança de rio calmo e habitado,
percebo que o grande hiato entre mim e minha arte
na verdade só existe
pela velha concepção que persiste,
pois o vazio do ser materialista e historicamente egocentrado,
se revela entre ele e o próximo numa distância tão grande de mentes
e tão pequena de espaço,
que a cada passo no chão cinza,
minha alma que já viu cor,
se lembra apenas do que quis por
como prioridade,
e eu não sei se por meninice,
ou por desonestidade,
me agarro num galho das margens,
paro um pouco, olho as paisagens,
e derrubo um pouco de mim em palavras,
vejo nos poemas minhas pequenas larvas
e não consigo dissociar em palavras de distinção,
o viver, o criar, o pensar, o querer e a arte em ação.
É tudo tão eu!
Mas nada disso é meu.
Preencho minha individualidade,
mas presto serviço à humanidade.
Seja na canção alegre e salobra do ridente,
ou no alto-mar do olhar perdido do ainda vivo moribundo,
a arte sai de um ser e de um tempo presente,
e mal foi concebida, já é filha do mundo.
João Gabriel Souza Gois, 20 de setembro de 2013
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
O Astro-Ego visto pelo pequeno Eu, pela Objetiva.
Sempre vi o babaca que via o mundo correr
e que não conseguia esconder o que quer.
E ele se sustentou, pôs a faca na mão,
cortou o queijo, ficou em pé.
Não dependia mais das coisas só mundanas,
mas só se acabava entre sonhos românticos nas praias e savanas.
E nas coisas que tangenciam o mundo,
no abstrato e no metafísico, viu um fluxo impossível de ser estudado,
mas com o badalado espírito chacoalhado,
voltou ao chão, ignorou o fado,
e com o pé no chão, mais fortemente pressionado,
se recolheu no cérebro com a ideação estimulada por querer um saber apaixonado.
Assim, com o Devir tendo tantas cabeças de possibilidade,
e o Ser como o que influencia, pelas escolhas, na probabilidade,
se viu no fio da navalha e com pouca idade,
para sustentar que se sustentava em pé.
Mas se forçando a ser sólido como nada é,
bastou um pouco de paixão, perfume e calor de mulher,
para desaguar na modernidade líquida,
e perceber que a mocidade, apesar de vívida,
não norteia, com 'Télos', como queriam os otimistas,
nem bobeia na Vontade, como insistia o gênio pessimista,
mas escolhe, nesse fluxo interminável,
um momento lógico e outro amável,
e não vendo lógica nem amor na maldade cotidiana e implacável,
se perdeu na fuga embriagada e não na boemia embalada,
e sem perdão, noção, varinha de condão e fada,
os contos infanto-juvenis são vistos como uma péssima piada,
e olhando, sem saber o que dos outros está em si, e o que de si é o puro nada,
viu o auto-flagelo como saída para glorificar a mágoa.
Depois, mutilado e com os pedaços de si dispersos à jusante,
encontrou a fenomenológica e artística consciência transcendental,
e Husserl, em um pesadelo, lhe disse, com tom abissal:
'Volte a ter controle do corpo e da mente mas saiba no final,
que a consciência que é para si, é limitada ao nervo, ao sangue, ao tato e à intuição animal
e que o espírito é o ponto de intersecção entre os valores que nunca têm raiz só individual,
e ele se escapa, não no auto-flagelo,
mas sim quando, como bruto animal, sabes que está certo
[mas hesita, ano a ano, a destroçar em pedaços o Soldado Amarelo.'
O Soldado Amarelo que resta em si,
A Lei do prussiano super-ego,
A Punhalada no peito do Orgulho Macho-fétido,
que deixa um rio reprimido em represa,
pra conveniência do luxo de quem come sobremesa,
e faz do espírito do tempo e do tempo aquoso;
do intuito, experiência, libido e almoço,
da sede, do amor, da lágrima e da convivência:
Um bruto, incondicional e moralista pecado.
Ah, como é bom um amor recíproco e amado!
Livre e responsável,
de mão quente e afável,
intimidade, confusões e beijo molhado.
E que no encontro das almas,
se encontre coragem e calma,
para destruir o que resta de vírus do tempo:
O olhar longínquo, perdido
triste e reprimido
do destrutivo e gratuito desalento.
João Gabriel Souza Gois, 11 de setembro de 2013
e que não conseguia esconder o que quer.
E ele se sustentou, pôs a faca na mão,
cortou o queijo, ficou em pé.
Não dependia mais das coisas só mundanas,
mas só se acabava entre sonhos românticos nas praias e savanas.
E nas coisas que tangenciam o mundo,
no abstrato e no metafísico, viu um fluxo impossível de ser estudado,
mas com o badalado espírito chacoalhado,
voltou ao chão, ignorou o fado,
e com o pé no chão, mais fortemente pressionado,
se recolheu no cérebro com a ideação estimulada por querer um saber apaixonado.
Assim, com o Devir tendo tantas cabeças de possibilidade,
e o Ser como o que influencia, pelas escolhas, na probabilidade,
se viu no fio da navalha e com pouca idade,
para sustentar que se sustentava em pé.
Mas se forçando a ser sólido como nada é,
bastou um pouco de paixão, perfume e calor de mulher,
para desaguar na modernidade líquida,
e perceber que a mocidade, apesar de vívida,
não norteia, com 'Télos', como queriam os otimistas,
nem bobeia na Vontade, como insistia o gênio pessimista,
mas escolhe, nesse fluxo interminável,
um momento lógico e outro amável,
e não vendo lógica nem amor na maldade cotidiana e implacável,
se perdeu na fuga embriagada e não na boemia embalada,
e sem perdão, noção, varinha de condão e fada,
os contos infanto-juvenis são vistos como uma péssima piada,
e olhando, sem saber o que dos outros está em si, e o que de si é o puro nada,
viu o auto-flagelo como saída para glorificar a mágoa.
Depois, mutilado e com os pedaços de si dispersos à jusante,
encontrou a fenomenológica e artística consciência transcendental,
e Husserl, em um pesadelo, lhe disse, com tom abissal:
'Volte a ter controle do corpo e da mente mas saiba no final,
que a consciência que é para si, é limitada ao nervo, ao sangue, ao tato e à intuição animal
e que o espírito é o ponto de intersecção entre os valores que nunca têm raiz só individual,
e ele se escapa, não no auto-flagelo,
mas sim quando, como bruto animal, sabes que está certo
[mas hesita, ano a ano, a destroçar em pedaços o Soldado Amarelo.'
O Soldado Amarelo que resta em si,
A Lei do prussiano super-ego,
A Punhalada no peito do Orgulho Macho-fétido,
que deixa um rio reprimido em represa,
pra conveniência do luxo de quem come sobremesa,
e faz do espírito do tempo e do tempo aquoso;
do intuito, experiência, libido e almoço,
da sede, do amor, da lágrima e da convivência:
Um bruto, incondicional e moralista pecado.
Ah, como é bom um amor recíproco e amado!
Livre e responsável,
de mão quente e afável,
intimidade, confusões e beijo molhado.
E que no encontro das almas,
se encontre coragem e calma,
para destruir o que resta de vírus do tempo:
O olhar longínquo, perdido
triste e reprimido
do destrutivo e gratuito desalento.
João Gabriel Souza Gois, 11 de setembro de 2013
domingo, 18 de agosto de 2013
Asco de gênero (degenerativo)
Maldito seja esse espectro que me circunda,
essa mão pesada, de violência profunda
e histórica. Do gênero violento em que me acho
que se faz, através da dor, o macho.
Nego! Nego no instante presente
a força pungente
que meus patriarcais
ancestrais
me fazem carregar nos ombros.
Será sempre esse gênero masculino o responsável
pelos escombros e incêndios da animá!
Será sempre o assombro maleável
dos músculos pretensiosos que me freará.
Não! Não e não!
Dessa vez não justifico nem legitimo a fuga,
agora vejo o dilema em forma substancial
de ganhar à força, como bruto animal,
o domínio das arbitrárias e artísticas semideusas.
Percebam! É raiva legítima!
Não me cerco da argumentação de quem se faz de vítima,
apenas percebo o peso insuportável
dessa mão, que mesmo querendo ser afável,
no fim fere.
Homem! Quem é você!?
Onde está sua identidade?
Se resume nessa imaturidade
que destrói Afrodite!?
Acredite que pode reger o que não sabe,
seja assim, um prussiano covarde,
que faz do mundo pura funcionalidade,
com sua vã racionalidade,
enquanto fere as rainhas da sensibilidade
e nunca confessa - nesse orgulho fétido - o Amor.
Crie dicotomias na sexualidade,
Diminua a diversidade,
mas nunca reclame, quando embriagado de imbecilidade,
do seu odor imanentemente nojento.
Em mim, o que resta é me perder,
há Amor, nisso não paro de crer,
mas me perco
pelo cerco
que esse asqueroso gênero me fez enclausurar.
Como, com anos de estupros e violência na mão masculina,
poderei eu finalmente acariciar a alma feminina
que tanto está em mim quanto nelas?
Resta, no peso histórico que trago comigo,
tentar provar que não sou inimigo,
mas como amá-las sem leva-las a dor?
Aos homens que assumem o asco de gênero como ofício:
Generais, patriarcas e frades promíscuos,
se escondam nesse peito de galo e sejam omissos,
mas nunca reclamem que lhes falta amor!
João Gabriel Souza Gois, 15 de agosto de 2013
essa mão pesada, de violência profunda
e histórica. Do gênero violento em que me acho
que se faz, através da dor, o macho.
Nego! Nego no instante presente
a força pungente
que meus patriarcais
ancestrais
me fazem carregar nos ombros.
Será sempre esse gênero masculino o responsável
pelos escombros e incêndios da animá!
Será sempre o assombro maleável
dos músculos pretensiosos que me freará.
Não! Não e não!
Dessa vez não justifico nem legitimo a fuga,
agora vejo o dilema em forma substancial
de ganhar à força, como bruto animal,
o domínio das arbitrárias e artísticas semideusas.
Percebam! É raiva legítima!
Não me cerco da argumentação de quem se faz de vítima,
apenas percebo o peso insuportável
dessa mão, que mesmo querendo ser afável,
no fim fere.
Homem! Quem é você!?
Onde está sua identidade?
Se resume nessa imaturidade
que destrói Afrodite!?
Acredite que pode reger o que não sabe,
seja assim, um prussiano covarde,
que faz do mundo pura funcionalidade,
com sua vã racionalidade,
enquanto fere as rainhas da sensibilidade
e nunca confessa - nesse orgulho fétido - o Amor.
Crie dicotomias na sexualidade,
Diminua a diversidade,
mas nunca reclame, quando embriagado de imbecilidade,
do seu odor imanentemente nojento.
Em mim, o que resta é me perder,
há Amor, nisso não paro de crer,
mas me perco
pelo cerco
que esse asqueroso gênero me fez enclausurar.
Como, com anos de estupros e violência na mão masculina,
poderei eu finalmente acariciar a alma feminina
que tanto está em mim quanto nelas?
Resta, no peso histórico que trago comigo,
tentar provar que não sou inimigo,
mas como amá-las sem leva-las a dor?
Aos homens que assumem o asco de gênero como ofício:
Generais, patriarcas e frades promíscuos,
se escondam nesse peito de galo e sejam omissos,
mas nunca reclamem que lhes falta amor!
João Gabriel Souza Gois, 15 de agosto de 2013
O Paradigma das pernas é manifestado: desconforto escrotal quando entre-coxas.
Sou Anonymous ou sou coxinha?
Roubei a máscara da vizinha.
Quero muito o mundo mudar,
mas sem debate! Engole a pauta que eu mandar...
Canto os símbolos do Brasil,
mas não conheço seu sangue febril,
conheço doença, mistura pura, descaso e direitos do torcedor,
de disciplina, compostura: passado fosco que guardo amor.
A mim cabe os poderes da indignação,
sou novo na casa, mas mando e invento canção.
Vamos a Maresias: somos populares.
Vamos unidos, vamos, não pares!
Desconheço os ventos das maresias populares.
A mim, papai me disse, me cabe a decisão,
vocês que respiraram gás, luta e insistência,
me afirmo prudente, com veemência,
e deslegitimo agora, com passe livre.
Previdência privada de república isenta
Me livro da PEC,
mas não conto ao moleque
o que ela representa.
Te dou 5 Causas,
e ofusco as causas
de tanto caminhar.
Paguei o parquinho,
me vesti de canarinho
e mandei abaixar vossa bandeira.
Pois comecei andando de canto,
olhei a movimentação da beira,
mas agora que tomei gosto,
tomei posse da brincadeira,
e como iluminado pela minha vaidade,
não mostro minha cara de verdade,
mas incito com ritmo e canção,
a marcha fúnebre da grande Nação.
João Gabriel Souza Gois, 20/06/2013
OBS: Postado com indignação em meio ao rumo desvirtuado que os protestos de Junho tomaram, pela direita minoritária e a grande massa de manobra que nunca soube o que reivindicar e absorveu pautas genéricas de falsos Anonymous ou da Grande e Falsa Mídia. Agora, em Agosto, as ultimas manifestações foram novamente desvirtuadas, como na última sexta (2 de agosto), em que Chupadores-de-Coturno se misturaram ao povo. Eu não tinha postado, porque não gostava do tom desse poema, já que parecia dar a esquerda um título de dona da rua - ideia mórbida só de bater o olho. Mas depois do revoltante ambiente, posto novamente, e que fique claro que sou totalmente contra a auto-intitulada 'Vanguarda' e igualmente antagônico em relação à opinião de alguns amigos da esquerda que se predispuseram a desqualificar as manifestações e ainda pretendiam não mais participar das mesmas. A esses, um recado: Esquerda não tem medo de povo.
Roubei a máscara da vizinha.
Quero muito o mundo mudar,
mas sem debate! Engole a pauta que eu mandar...
Canto os símbolos do Brasil,
mas não conheço seu sangue febril,
conheço doença, mistura pura, descaso e direitos do torcedor,
de disciplina, compostura: passado fosco que guardo amor.
A mim cabe os poderes da indignação,
sou novo na casa, mas mando e invento canção.
Vamos a Maresias: somos populares.
Vamos unidos, vamos, não pares!
Desconheço os ventos das maresias populares.
A mim, papai me disse, me cabe a decisão,
vocês que respiraram gás, luta e insistência,
me afirmo prudente, com veemência,
e deslegitimo agora, com passe livre.
Previdência privada de república isenta
Me livro da PEC,
mas não conto ao moleque
o que ela representa.
Te dou 5 Causas,
e ofusco as causas
de tanto caminhar.
Paguei o parquinho,
me vesti de canarinho
e mandei abaixar vossa bandeira.
Pois comecei andando de canto,
olhei a movimentação da beira,
mas agora que tomei gosto,
tomei posse da brincadeira,
e como iluminado pela minha vaidade,
não mostro minha cara de verdade,
mas incito com ritmo e canção,
a marcha fúnebre da grande Nação.
João Gabriel Souza Gois, 20/06/2013
OBS: Postado com indignação em meio ao rumo desvirtuado que os protestos de Junho tomaram, pela direita minoritária e a grande massa de manobra que nunca soube o que reivindicar e absorveu pautas genéricas de falsos Anonymous ou da Grande e Falsa Mídia. Agora, em Agosto, as ultimas manifestações foram novamente desvirtuadas, como na última sexta (2 de agosto), em que Chupadores-de-Coturno se misturaram ao povo. Eu não tinha postado, porque não gostava do tom desse poema, já que parecia dar a esquerda um título de dona da rua - ideia mórbida só de bater o olho. Mas depois do revoltante ambiente, posto novamente, e que fique claro que sou totalmente contra a auto-intitulada 'Vanguarda' e igualmente antagônico em relação à opinião de alguns amigos da esquerda que se predispuseram a desqualificar as manifestações e ainda pretendiam não mais participar das mesmas. A esses, um recado: Esquerda não tem medo de povo.
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Anarchowissenschaft
Que todas as entidades a mim presentes,
as orgânicas, as metafísicas e as dissidentes,
percebam que quando o fluxo de minha gente
tende a tentar furar a mentira histórica
do Jesus louro, puritano e pária,
-negando o real e subversivo mouro, anti-estadista e sem pátria,-
do Brasil bobo, simplista, consumista e sem gingado
- não o subversivo caboclo, resistindo em bamba, mas ainda acorrentado.
Agora que tende a tentar,
os jagunços vão chegar,
vão gritar que são a lei,
lei sem poema, sem emblema, nem humanidade,
lei-escudo para a cama do covarde,
mas ainda assim, o sacolejo
-já disse a mim a baiana-
só vem depois de respirar.
E não interessa o que se respira,
se é vida, arte ou gás,
não interessa o que se inspira,
sabores, amores ou paz,
só interessa o que se identifica,
em meio aos vultos do simbolismo vazio,
como nação para o povo,
Como nação-povo-substância-bamba
Como pátria-comadi-infância-samba
- chega da nação dos falsos quadros com cavalos na serra.
Subestimem nossa inteligência,
e cometam a negligência
de achar que não sabemos
que cavalos não sobem serras.
E aquela mula que carregava
Pedro-luso,
representava o Brasil.
Nunca ele, sempre a Mula.
A mula que o assistia
cagar
ao aceitar
nossa primeira dívida
em troca de uma independência retórica.
Independência que ainda tarda,
pois calçamos botas nos bandeirantes,
independência vazia,
pois a cultivamos aos nossos ouvidos reprimidos
mas jamais a praticaremos
com estas mesmas mãos com as quais tapamos os ouvidos.
Nossos consagrados assassinos
serão assassinados pelos
nossos esquecidos heróis,
que hão de um dia se levantar da cova,
junto com Jesus Mouro e sua Corja-subversiva,
E gritar ao mundo inteiro:
"A era de Aquarius nunca acontecerá
'Sem Violência'
porque eu 'não vim trazer a paz, mas a espada!' "
A libertação não será embriagada
de porrada
pura e gratuita.
Será violenta, organizada, autônoma e elevada.
Violenta ao passo que expõe a pobreza de espírito dos seres morais.
Violenta assim que tirar o monopólio da violência e da paixão.
Violenta assim que criar o pluripólio do amor e do outro como irmão.
Violenta como uma suave, serena, terna e lírica poesia em alemão.
João Gabriel Souza Gois, 1º de agosto de 2013
as orgânicas, as metafísicas e as dissidentes,
percebam que quando o fluxo de minha gente
tende a tentar furar a mentira histórica
do Jesus louro, puritano e pária,
-negando o real e subversivo mouro, anti-estadista e sem pátria,-
do Brasil bobo, simplista, consumista e sem gingado
- não o subversivo caboclo, resistindo em bamba, mas ainda acorrentado.
Agora que tende a tentar,
os jagunços vão chegar,
vão gritar que são a lei,
lei sem poema, sem emblema, nem humanidade,
lei-escudo para a cama do covarde,
mas ainda assim, o sacolejo
-já disse a mim a baiana-
só vem depois de respirar.
E não interessa o que se respira,
se é vida, arte ou gás,
não interessa o que se inspira,
sabores, amores ou paz,
só interessa o que se identifica,
em meio aos vultos do simbolismo vazio,
como nação para o povo,
Como nação-povo-substância-bamba
Como pátria-comadi-infância-samba
- chega da nação dos falsos quadros com cavalos na serra.
Subestimem nossa inteligência,
e cometam a negligência
de achar que não sabemos
que cavalos não sobem serras.
E aquela mula que carregava
Pedro-luso,
representava o Brasil.
Nunca ele, sempre a Mula.
A mula que o assistia
cagar
ao aceitar
nossa primeira dívida
em troca de uma independência retórica.
Independência que ainda tarda,
pois calçamos botas nos bandeirantes,
independência vazia,
pois a cultivamos aos nossos ouvidos reprimidos
mas jamais a praticaremos
com estas mesmas mãos com as quais tapamos os ouvidos.
Nossos consagrados assassinos
serão assassinados pelos
nossos esquecidos heróis,
que hão de um dia se levantar da cova,
junto com Jesus Mouro e sua Corja-subversiva,
E gritar ao mundo inteiro:
"A era de Aquarius nunca acontecerá
'Sem Violência'
porque eu 'não vim trazer a paz, mas a espada!' "
A libertação não será embriagada
de porrada
pura e gratuita.
Será violenta, organizada, autônoma e elevada.
Violenta ao passo que expõe a pobreza de espírito dos seres morais.
Violenta assim que tirar o monopólio da violência e da paixão.
Violenta assim que criar o pluripólio do amor e do outro como irmão.
Violenta como uma suave, serena, terna e lírica poesia em alemão.
João Gabriel Souza Gois, 1º de agosto de 2013
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