segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A Mulher.

Para que a frequência das postagens não fique tão baixa, resolvi - sem textos novos na cabeça - postar uma poesia que escrevi faz um tempinho.


A Mulher.


Oh! Beleza exótica.
Independência atraente.
Vida não-metódica
Configurada para saciar o que se sente.


Diferentemente das outras, Gauche.
Marcada pelo excesso de maquiagem
E pelo vermelho que torna carnudo os lábios.
Anseios explícitos nos olhares sábios.


Estereótipo de menina errante
Que abusa dos homens e consome mulheres.
Mas como orgulhosa pelo sexo frágil,
Se mostra feminista petulante,
E como opositora a todos os alferes,
Os imita sendo rígida e ágil.


Mas sua rigidez não prega o conservadorismo,
Suas roupas exóticas demonstram a proposta.
Abusa da moda para alimentar o que a alma exige do egoísmo,
Mas é solidária com os que nunca receberam resposta.


Resposta do mundo e das individualidades.
Aqueles que são acusados de terem negado as oportunidades,
Que o mundo nunca deu, mas que insistem em dizer que sim,
Só pra justificar os parasitas que são, no fim.


Que fim é esse que dizem que se demora?
Para a diva da independência este pode ser agora,
O importante é que abusou do que todo moralista recusou,
E quando lhe ofereceram o milagre, ela negou.


Porque sofreu demais com seus anseios,
Só por consumir e também possuir seios.


Cristo, o milagroso, impôs estar errado,
E assim a deixou com destino fadado
A ser a escória e a marginalizada,
A nunca mais poder escolher nada.


Mas essa diva que aqui se apresenta ganhou muito mais,
do que estes que agem de má-fé, achando que pregam paz.
Ela tem no mundo o que ela quiser,
E mesmo que no subterrâneo, eterna seja sua dor,
Ela conseguiu, mesmo que por alguns segundos, o meu amor.
  























João Gabriel Souza Gois, 25/01/2010

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Pessimismo + Felicidade ≠ Incoerência.

     Depois de ouvir alguns comentários e reparar no modo como são dados conselhos por aí, cheguei a conclusão de que as pessoas geralmente têm interpretações errôneas do que é ser pessimista. Lógico que pessimista é o oposto de otimista, e portanto um pessimista é o que sempre pensa pela pior das possibilidades. Essa interpretação é aceitável, um tanto quanto precipitada mas acima de tudo a mais usual; pelo fato de ser a mais usual, faz com que a maioria esmagadora das pessoas usem o termo de maneira pejorativa, e achem que os pessimistas são pessoas tristes e que vivem por viver.

     Eu me considero um pessimista. Não do ponto de vista do modo de agir, nem de conversar... Apesar desse blog existir uma dedicação exclusiva a mim - não pretendo virar um blogger famoso, escrevo para me satisfazer e publico pra quem quiser ler - muitos amigos meus disseram não me reconhecer perante os textos, porque ou eles têm um enfoque puramente baseado na minha torpe mente (angústias e felicidades) ou têm como alvo apenas demonstrar um pensamento ou reflexão que provavelmente construí após ler, tomar banho, discutir com os amigos, ou apenas refletir sozinho. Esse pessimismo que abordo, é do ponto de vista filosófico e portanto não tem necessariamente que ver com meu comportamento - eu não sou um chatolóide que fica falando difícil o tempo todo, pelo contrário, sou um dos maiores adeptos das gírias, e todos me conhecem pelo meu bom humor e excesso de animação (muito irritante, em muitos casos). O pessimismo, nesse caso, advém do fato de seguir, concordar, admirar e principalmente reproduzir os pensamentos pessimistas. O fato de não crer em destino, em vida após a morte, em razão de existência humana, missão, propósito da vida e etc. já se pode levar à triste conclusão de que a vida é indomável, finita, rápida e desnecessária (se não há nenhum propósito) e no começo, quando tais reflexões começaram a fazer sentido a mim, eu me entristeci.

     Sofri angústias por perceber que esperança é a unica maneira de se alimentar a vontade de viver, e por isso comecei a perceber (ou forçar) padrões na vida e definí-los - de maneira interessante porém infantil - para 'esperançar' esse anseio que é viver. Não há um Deus possível, provável ou que possa fazer algo objetivo e literal (e não simbólico e demente), não consigo praticar a má-fé existencialista(em termos gerais, evidentemente), não consigo deixar de concordar com os acasos de Nietzsche, não consigo deixar de duvidar de tudo como Descartes, mas tenho um lema - talvez pouco justificado e meramente postulado - de que o equilíbrio é o ideal inalcançável, porém carente de culto e busca (nunca se atingirá, mas criar métodos, e técnicas para alcançá-lo é a unica maneira de eficiência).

     No final criei uma esperança, baseada tanto nessa necessidade de equilíbrio que sei que é insuprível, quanto na criação de padrões para me apoiar e não me deixar desabar. Porém isso não muda o fato de que, cultivando essa verdade pessoal - a uso para não enlouquecer e manter algo possivelmente mais equilibrado - acabei por concluir tudo de maneira pessimista. Nascemos pra morrer, e quando morremos apodrecemos e ponto. As situações, constelações e coincidências são definidas pelo acaso, pela possibilidade e pela probabilidade. O tempo nunca existiu, e observar as mudanças de um objeto, pelos fenômenos que ele sofre, estabelecendo um antes e depois, levou o homem a criar um conceito válido para medir mas não para definir situações, e depois de intrinsecá-lo em sua mente por todas as culturas e etnias durante anos, acabou por tratá-lo como verdade absoluta e tentar explicar um início ao universo, algo que nunca - para mim - existiu. Não cultuo essas ideias: em verdade as acho improváveis... As verdades que busco são muito menos abrangentes e menos exageradas, e quanto a questões extremamente complexas e - convenhamos - infinitas, tenho apenas opiniões nuas, sem considerar nada que o romantismo pode trazer - não que eu seja contra o romantismo, aliás o aprecio nas relações humanas e devo muito a ele pela arte que sua influência criou; apenas não o enxergo em questões maiores - não há porque haver um propósito em super novas, buracos negros e relações de movimento entre astros, são fenômenos, assim como a vida e a morte. Essa conclusão, se pensarmos com eficiência, leva a destruir qualquer superstição, culto, religião, mito, ritual e também a ideia de sorte e azar... Levando isso a sério e trazendo pra si tais conclusões é possível ver como o chão sofre um abalo, a angústia ganha força e o fato de não existir esperança nem possível influência externa é por si só, pessimista.

     O interessante é que trazer essas conclusões, e arquivá-las como improváveis, nos leva a ser serenos e focarmos em como trazer discussões abrangentes para coisas mais imediatas da vida, como a vida social, a política, as opiniões sobre diversos assuntos e as maneiras de se conduzir dissertações. Apesar de tudo isso, se levarmos em conta que o acaso pode ser prazeroso - mesmo sem seguir um padrão (como a senóide, que já havia mencionado em outros posts) - do ponto de vista carnal, essencial e humano. Conduzir questões superficiais do dia-a-dia sem botar em prova seu pensamento (justamente por pensá-lo por pensar, e não em crer ou ter fé exacerbada e absoluta, que é extremamente desnecessário) e usá-lo justamente quando convém, faz crescer dentro de si, uma espécie de poder, meramente supérfluo e ingênuo, mas agradável e portanto estimluante (digno de receber o nome de felicidade). O pessimismo me fez sentir esclarecido de uma maneira que os cultos e outras coisas que simplesmente eram absurdas pra mim não conseguiram. Essa segurança, mesmo partindo da incerteza, me faz, apesar de desesperançoso, não temente a nada... Nem ao inferno, nem às pessoas. Eu sou muito mais livre, muito mais pronto para ser humano e não sou superior por isso, simplesmente sou muito mais feliz que os otimistas, que acabam se decepcionando quase que sempre, alimentando esperanças irrelevantes, cheias de alogias e condutoras de alienação e opressão.



Nietzsche (fazendo sexo): O pessimista  brincalhão (apenas nessa imagem, evidentemente).

domingo, 16 de janeiro de 2011

Maniqueísmo: o verdadeiro Lúcifer.

                  "O existencialismo é um humanismo !"
  
      É difícil perceber o quanto a reflexão existencialista faz parte de nós. A lógica de hoje, como diria Mustaine do Megadeth, a lógica do "Novus Ordo Seclorum", reduz a inteligência ao fato de ser rico, de estar no topo da piramide. Não que isso seja exclusividade da Nova Ordem Mundial, mas existem limites quando se trata de decisões, tanto econômicas quanto sociais, para qualquer segmento ideológico. O limite do Neoliberalismo já devia estar explícito à nós, desde 2008. Enquanto eles não percebem que o fato do mercado financeiro inchar a economia americana, alguns brasileiros ainda defendem o não-desenvolvimentismo e choram pela saída de Henrique Meirelles.

Jean-Paul Sartre.
    Isso é diferente de supor que os neoliberais são pobres em sua filosofia, e maior que tudo isso é o fanatismo (vide a eleição do ódio que ocorreu no Brasil, levando até ao preconceito mais 'a la Hitler' contra o povo nordestino) que alimenta a obstinação de seus seguidores, talvez cegos como os coitados dos oprimidos por uma figura poderosa que pode fazer de tudo e obriga que se siga uma regra, impõe uma moral, e uma escritura certa, mesmo que as linhas sejam tortas (não se esqueçam que as linhas tortas foram feitas também por 'Ele'). Isso para os existencialistas era a considerada má-fé, apontar a culpa para o não uso de sua liberdade em alguma situação externa, como por exemplo um ser divino. Não que não existam fatores que tenham alguma espécie de influência em nossas decisões, o próprio Sartre (um dos filósofos existencialistas) se tornou ativista político Marxista, e o Marxismo, como sabemos defende, assim como aprendemos nas aulas de história hoje em dia, que o modo de produção (a organização socio-econômica) da época e do local, influi na cultura de determinada população. Hoje isso é muito claro, eu diria até que provado 'experimentalmente'; basta prestarmos atenção nas décadas e nos pensamentos de avós, depois de pais e agora o dos filhos  (a inovação tecnológica adapta cada vez mais o modo de produção, por isso já existiu, só no capitalismo, o industrial, o comercial e hoje o - famoso - financeiro) ...

      De qualquer maneira, a filosofia existencialista é realmente difícil de ser compreendida, ela propõe que o ser humano é o guia de suas ações, e tem liberdade para fazer escolhas, diferentemente do que muitos pensam, não 'prega' a 'desordem', ela apenas mostra que o ser humano existe antes de ter uma essência (a existência precede a essência)... Tudo que não é o ser humano recebe um rótulo, como se descrevesse um movimento, chamado "Em-si", ou seja, uma cadeira , um guarda-roupa, esses só existem porque sua essência foi pré-definida: sentar, armazenar trapos. Já o ser humano realiza o 'movimento' "Para-si" onde primeiro existe e depois constrói sua essência, logo nada pode definir um modelo, não existe uma missão pré-definida, um destino construído, e aplicar tais argumentos para justificar o não uso de tal liberdade de escolha (pois até a escolha de não agir é uma escolha) é a considerada má-fé.

José Saramago.
    Apesar de parecer fora de contexto, um trecho do livro "As intermitências da morte" (José Saramago) deixa bem claro o resumo da idéia oferecida. O trecho se trata de um momento em que o autor apenas faz uma comparação, uma espécie de analogia que exprime a idéia de que o responsável pela maldade ou pelo sofrimento dos humanos é seu próprio criador... "(...) desde que, por exclusiva culpa de deus, caim matou abel.(...)" Ou seja, querendo ou não, pela ótica existencialista, o que Saramago escreveu demonstra má-fé sob os argumentos divinos, posto que para ele uma passagem da Bíblia culpou alguém, que seu próprio deus influiu a agir.

John Maynard Keynes
     Assim como o deus repressor do universo, o deus cristão, age de má-fé quando coloca a maçã para nos tentar e também implantou em nossos sentimentos a inveja, para que no final acabassemos por fazer tudo que ele não queria (que fique claro que o criador da inveja, segundo a bíblia, é o próprio deus, visto que Lúcifer, só virou o "coisa-ruim" por possuir tal sentimento) e ainda nos punisse por isso, os EUA é o próprio condutor de sua crise, com a sua esquerda pouco ativa (morna) mais antagônica a uma real mudança ou estruturação do sistema econômico do que qualquer esquerda vigente. Apesar do Tea Party ser um problema maior (em uma ótica progressista), os próprios democratas são cegados, e não enxergam um velho colega chamado Keynes, pura e simplesmente pelo fato de desde 1991 a regra, o postulado, a verdade-absoluta-econômica ter se tornado o neoliberalismo (como já vimos, a "maledêta" da má-fé, que nos faz deixar de agir em prol de um "postulado"). Mais fanáticos do que qualquer Absolutista, Liberal ou Comunista já foi, os Reis da nova ordem tentam manter a idéia que lhes serviu por um periodo de condições externas favoráveis e se esquecem de além de estar quebrando mais do que qualquer "demônio keynesiano" a sua própria estrutura política e econômica que hoje representa uma moeda de baixo valor e um índice de desemprego desesperador, estão quebrando países "amigos"(eu os chamaria de pau-mandado) como a Irlanda. 

        A antiga mania do ser humano de simplificar teorias, de maniqueisar teóricos, de impor postulados baseados em referenciais convenientes. Por exemplo, muitas pessoas não entendem que o Liberalismo surgiu para contrapor o Absolutismo, portanto a idéia de liberdade econômica e liberdade política eram totalmente saudáveis naquele contexto, já que a monarquia absolutista torrava milhões e intervia na economia de maneira a converter os ganhos para acúmulo de ouro e prata (metalismo). A intervenção naquela época tinha um intuito de encher os bolsos da Coroa e os ideais liberais que só ganharam força após a revolução francesa e a ascensão da burguesia, com o iluminismo, foram com certeza um marco e um grande ganho para a humanidade. Esse período se foi, é parte da história agora, existem mais situações após essa que devem nos fazer reconfigurar o pensamento... E lá vamos nós: Depois disso a burguesia ascendeu e novamente alguém fica no topo... A partir disso a super-exploração impera, e os próprios socias-democratas começam a contradizer alguns de seus ideais. Essa é a realidade de hoje; existem corporações que cresceram e atualmente estão acima até de muitos governos, que com base na festa das privatizações provocadas por diversos Estados acabaram por se tornar monopólios disfarçados... Mas pera aí? O monopólio absolutista não era exatamente o que o Liberalismo queria quebrar? Como o Neoliberalismo cria um novo modelo de monopólio? Pois aí que está a contradição. Não quero postulá-los como errados, e ganhar com esse argumento decifrando e provando por a+b que estão incoerentes... Mas a verdade é que o que antes era um Estado que convertia através do Absolutismo e do Mercantilismo todos os ganhos para si, hoje são corporações que fazem o mesmo com o neoliberalismo e a "boiada" que o mercado financeiro recebe de governos alinhados com a nova ordem mundial. Os que querem uma mudança real na questão social, e no bom desenvolvimento de orgãos públicos, precisam entender onde está o equilíbrio; se é verdade que a iniciativa privada é mais eficiente e serve para suprir as necessidades imediatas de infra-estrutura e de indústrias lucrativas, ao mesmo tempo, sua lógica de lucro, intrínseca na filosofia vigente, não faz sentido em setores de intuito social, como colégios, hospitais, universidades e etc. também não faz sentido com demais indústrias de base como matrizes energéticas, mineradoras, siderúrgicas e etc. Do ponto de vista econômico, não faz sentido vender uma empresa por um valor igual ao seu lucro mensal... Isso nunca aconteceria se não existisse o absurdo de alinhamento ideológico a todo custo, como aconteceu com a nossa querida Vale do Rio Doce durante o governo FHC.

       Não existe maneira mais clássica para isso, e eu, como estudande e pouco conhecedor dos mistérios da escrita, terei de usá-la... Óh ! Lá vai:
       Contudo, podemos concluir que, no mundo existem diversas ideologias, filosofias, religiões e esterótipos, e se hoje seguimos algum, temos que buscar o mínimo da lógica e usar os demais a nosso favor... E não excluí-los. Qualquer estudante de economia leu "O Príncipe" de Maquiavel, e apesar de hoje o mundo não ser Absolutista, entender aquela reflexão é útil para construir coerência econômica e social. O extremo só foi visto em crises absurdas, em situações que o exigiam pelo fato das paixões e do "estômago" humano estarem danificados de tal maneira que o milagre era a solução. O radicalismo prega o milagre, reduz uma estratégia economica a uma ação, diminui um acordo político a um argumento, e apesar de entender muito bem e até defender setores da sociedade que são mais radicais em vários aspectos, eu sei que através da política estes nunca conseguirão nada (o radicalismo foi o que levou à ascensão do fascismo e do nazi-fascismo, por exemplo). A forma mais clara de intuir essa conclusão aqui proposta, é que a Igreja, por exemplo, que impôs muitas coisas e faz parte da nossa história, pode ser mal interpretada por uma filosofia específica, bem interpretada por outra... O ideal é enxugar todos os excessos possíveis, agir com coerência e partir de todas as condições que disponibilizamos para usar a nosso favor tudo que já foi escrito na história. Se o povo americano é extremamente despreparado para receber tal mudança, o Brasil também o foi quando Lula entrou. Para um país como o Brasil que possui uma economia crescente e que está incluso no rol das grandes economias promissoras, o ideal não é seguir o Existencialismo, o Comunismo, o Absolutismo, o Liberalismo, o Neoliberalismo ou qualquer outro modo de produção, postulado ideológico ou filosofia muito mais antiga, seja ela pré-socrática, medieval, moderna ou até mesmo contemporânea... O ideal é seguir os índices, e conciliar os conhecimentos, envolvendo coerência em manobras políticas, decisões sagazes quanto ao uso do capital privado e noção científica para a organização de uma restruturação em qualquer indústria de base, além de, com foco exclusivo, trabalhar para organizar o aumento de consumo de modo que esse não gere problemas a longo prazo, como por exemplo o excesso de automóveis... Uma noção mais abrangente, para construir ferrovias e aliviar rodovias, para estimular o transporte público sem acordos absurdos nem ônibus que mais parecem vans de tráfico humano e se dão ao luxo de cobrar 3 reais. Sim, isso parece o ideal e impossível, mas se pensarmos que no mundo atual existem tecnologias absurdamente fantásticas das quais não imaginaríamos, a coerência científica nos conduzirá a isso (não que seja a verdade absoluta, mas os fenômenos sociais também podem se aprimorar com ciências humanas, assim como as tecnologias se aprimoraram com as exatas).

     O planejamento tão objetivo e bem construído ainda não existe, mas já é possível ver uma melhora e um crescimento partindo da riqueza na base da piramide, já é possível ver a expansão e o bom uso do capital privado sem influências negativas (como a capitalização da Petrobrás por exemplo) e que fique bem claro que isso não é um panfletismo do PT ! É verdade que é totalmente compactual e a favor do partido, mas isso existe atualmente; em algum momento é possível que essa coerência se termine, e se o apoio continuar, os textos escritos neste blog seriam em vão, já que a crítica desde o início foi para o exagerado ideológico. O PT pode seguir o desenvolvimentismo, ou pode virar um governista cara-de-pau, isso depende do rumo que vamos tomar a partir de agora.

     Independentemente da política ou outro tema em que as filosofias, as reflexões e as ciências se insiram, o que sempre superficializa a compreensão de tais questões é o maniqueísmo: o bem e o mal não estão definidos. E nas campanhas, e nas evangelizações, e nas bandidagens que por aí estão, esse conceito é absurdamente abusado; por exemplo, se você for um existencialista o mal são os outros, se for a igreja, o mal é tudo que não se alinha com seu pensamento, se for o liberalismo o mal é o monarca (bem diferente de Keynes, ok?) interventor. Se conseguirmos, algum dia criar essa consciência (de que existem situações mais pertinentes do que o 'bem e o 'mal'), além dos preconceitos e birras, aí sim estaremos no 'fim da história'. O fim da história não é necessariamente o proposto por Marx (Comunismo)... O fim da história não foi 1991 (A nova ordem) e para os mais supersticiosos e com interpretações mais imediatas do que 'é o fim da história' também posso garantir que não será 2012. Assim sabemos que qualquer questão tem de ser avaliada, de maneira mais ampla do que certo e errado, e que os referenciais diversos servem para enriquecer as análises e as interpretações; progredindo sempre.

     Para terminar eu gostaria de citar uma frase de um escritor famoso, Franz Kafka, que trata muito bem dessa noção de verdade, a qual as pessoas acabam por cultuar em excesso e no fim tratar com maniqueísmo quase todas as situações existentes, seja religiosa, filosófica ou ideológica. Lá vai :

Franz Kafka


           "A verdade é tudo aquilo que o homem precisa para viver, não pode ganhar nem comprar dos outros. Todo homem deve produzí-la sempre no seu íntimo, se não ele se arruína. Viver sem a verdade é impossível, mas não exagere o culto da verdade. Não há um único homem no mundo, que não tenha mentido muitas vezes e com razão." Franz Kafka.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A rigidez assassina e a sensibilidade divina.

Entre o gozo que, através do fenômeno que esconde em seu significado,
Se traduz na ação de escorrer nas permeabilidades da roupa de baixo,
E a lágrima que sai naturalmente, assim como sangue, após a ferida.


Que se encontra o significado, muitas vezes obstinado,
Mesmo que vestido em roupa nobre ou em um manaixo,
Do que é - qualquer que seja a filosofia (morta por lignina) que se siga - a vida.


Monstros no armário,
Ser o alvo do momento hilário.
Ser feito de otário.


Muitos medos crescem e amadurecem,
Conosco.
Mas os excessos não mudam o aspecto tosco,
Para que cada um deles, através do radicalismo, imperem.


Trazer palavras que meu vocabulário não investiga,
Fazem as poesias muito mais que bonitas.
Pois se com elas conseguir construir um muro de impulsos e razões infinitas,
Eternizo, me completo, mostro afeto, justifico, torno uno, feito aço em liga.


Para que as angústias e os excessos não assumam papel maior que de um pigarro,
Que escarro em qualquer rua, qualquer canto,
E me livro do encanto,
De cultivá-los e escondê-los com um riso torpe e bizarro.


Se assim viver, exagerando mas eternizando.
Chorando, sorrindo, gozando e amando.
Sei que viverei menos e melhor,
Dos que os que se cultivam para nada além do rancor.

João Gabriel Souza Gois, 9/12/2010

Ver sem enxergar, viver cego para "aproveitar".

O factual é tão desgastante,
Tão absurdo.
Absurdo até para mim,
Que boto pose até o fim.


A mentira é tão confortável,
Tão carismática,
Tão aceitável.
Eu diria que até mágica.


Os que enlouqueceram,
Por querer a verdade a todo momento,
Foram calados pelos que não aguentavam o sofrimento.


Os que sobreviveram
Com a sanidade invejável e a família impecável,
Era o hipocrita, nojento e asqueroso que só queria uma vida estável.


Bote a culpa no papa !
Ramones e anarquia são a chave para ser diferente.
Mas isso só ocorre, porque o realce de assim ser,
Lhe dá conforto no viver.


Pois se precisasse pegar em armas,
Mudar de fato, abrir mão das coisas,
Da coca-cola e do tênis com mola, não aconteceria.


É duvidável essa rebeldia.
Fácil falar de mais-valia,
Difícil é fazer mais do que ladrar.


Não digo que sou digno de abrir mão de meu conforto.
Não sei se pra mudar, doaria meu corpo morto.
Mas sei que se reconheço que faço pouco,
Por que chamar o corajoso de terrorista ou de louco?


Depreciar para se confortar é viável
Se a história de toda mídia mundial dor usada para provar isso.
Mas mesmo na minha mente envolvida de conforto,
Questiono se vale tanta hipocrisia para me sentir confortável.

João Gabriel Souza Gois, 9/12/2010

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Panorama insano, sem noção e insuportável.

     Não tem nada mais detestável do que o incompreensível. Esse será o post mais fora do comum que eu faço... Estou pilhado em idéias, estou incomodado com situações, estou afetado e posso achar que te mostro uma linha reta, com um pentágono na mão.

     Estou no momento mais insuportável e comum... Previsível. Dentro dos altos e baixos, existem outros altos e baixos (algo análogo aos epiciclos de Ptolomeu) e às vezes, quando se acha que está melhor, acaba por fazer uma besteira quilométrica, a toa.

     A questão não parte de argumentos imbecis que eu poderia postular, que são factuais de acordo com meus sentimentos e não tem nexo algum seguindo o mínimo da racionalidade. Mas o grande problema é que quando se conhece tais paixões, tem que no mínimo se compreender o que deturpa o argumento lunático que chega ao seu ouvido. Um grande problema é que quando se encrenca com algo, tudo que se relaciona com esse algo e com você também, deveria parar de relacionar-se com esse algo (em sua cabeça, obviamente). Mas o que independe disso é o fato da situação afetar mais a alguém. Esse alguém ficará mais incomodado por motivos não muito claros para os próximos, e esse próximos se aproximarão mais dos menos afetados, por mais que num passado não tão distante estes não fossem tão amigos. O que quero dizer é que, quando se torna insuportável por motivos complexos e violentados pelo romantismo, as pessoas que te apoiariam começam a se cansar... E elas não tem culpa disso. Chega um momento em que elas não percebem como estão te afetando, com coisas que poderiam ser evitadas sem nenhum custo, mas não são, porque não há nenhuma fonte de razão, nenhum fato, nenhum referencial dialeticamente perfeito para apoiar essa "evitada".

     No fim, você acaba por desconfiar das pessoas que sabe que pode confiar, começa a achar problemas onde não tem, tem medo de perder seus amigos por ser um chato e ainda acha que tá certo porque a intensidade com que as coisas te afetam poderiam ter sido atenuadas. O fato de existir um exagero aqui, faz o discurso lá, mesmo que infantil, menos insuportável e repetitivo, e até divertido a ponto de combinarem uma festinha, com pessoas novas. E quem fica no canto, alto, bêbado, torpe e desconcertado é o chato. Não acho que perdi meus amigos, e confio neles... Mas não sei se minha avaliação está pesando pra razão quando não deveria ou pro sentimentalismo quando não deveria... Não sei se falei uma frase inteira ou letras embaralhadas. Entendo que queiram me privar de informações, mas não entendo porque que eu não paro com isso... Se eu buscar entender sozinho, eu não consigo, porque não confio em nada que penso... Nada parece existir, só parece existir a dúvida. E com essa conclusão filosoficamente cartesiana, acho que tenho razão, mesmo que essas analogias só funcionem em minha cabeça. No final, minha conclusão não consegue se finalizar, porque eu estou preocupado em ser lógico e não acredito em nada que sai da minha cabeça nem da boca dos meus irmãos. E ficar sem nenhum lugar pra se apoiar, é terrivelmente assombroso.
  
     Ainda vejo beleza em coisas poucas e juro que meu momento não é tão obscuro ou depressivo quanto parece, com essas palavras de Marilyn Manson que trago ao meu blog... Mas esse excesso de pensamento em relação à isso esta me fazendo mal. Me sinto louco, e vejo me tratarem como louco, mas não sei se é louca a maneira como julgo ser o tratamento que recebo, ou normal(a maneira como o recebo) e minha concepção deturpada me faz o ver como um tratamento especial(digno de loucos)... Essa concepção, que eu duvido às vezes, parece tão perfeita, mas por mais que seja o extremo do perfeito, ainda assim duvido dela. Já conheço essa história e o rumo da prosa parece perigoso. Comigo não é! Mas se isso desdobrar na perda do que me restou que foram meus amigos, minhas convicções e meus hobbies... Eu simplesmente não sei o que farei.

     Se você não sabe o que é o amor, não me julgue por amar. [Seja dito o que for [Ridículos os poetas que não escrevem [O amor. E coitado dos que nunca foram coitados.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Into the void.

    Estava ouvindo Black Sabbath antes de ir para o cursinho hoje... Aí resolvi escrever algo que já tinha refletido um pouco com meus miolos... O vácuo. Vazio, eu me senti ultimamente, mas independentemente da choradeira de sempre, é legal reparar em algumas conclusões que eu tomei a respeito. Apesar da letra da música falar sobre a fuga da humanidade... Os humanos fugindo da Terra depois de destruí-la e começando a vasculhar o "império do vácuo" ou até uma possível menção a corrida espacial do contexto da guerra fria, porque a música é de 71. A minha reflexão tem outro foco... se trata da mais pura idéia do se sentir vazio, sensação que já quis ter em muitos momentos e agora simplesmente estou louco para pular fora...


No Vácuo.


A estabilidade que almejei,
A tranquilidade que sempre procurei,
O repúdio a Dionísio que sempre impus,
A necessidade de silêncio para dar vez à luz.


Contido, uno, inabalável, envolvido em granito.
Era o que sempre procurei, nas crenças, ciências, filosofias e mitos.

O mais puro, mais profundo, mais tranquilo vazio.
O vácuo, silencioso por falta de som, frio por falta de atrito.

Luz, só o que passa por ele.
Mas o excesso dela queima, cega.
A falta dela obscurece.

A falta do som, deixa de lado os barulhos incessantes,
Os argumentos infantis e repugnantes.
Mas também some com a música e as epifanias dos gritos de prazer,
Os versos desconstruídos e torpes
Profundos e embaralhados na essência e nas cordas vocais,
Que exprimem o som aparente, e o pensamento por trás dele.
O signo escondido (a essência do prazer)
Que no fim é representado por nada além das interjeições
E onomatopéias que dizem tudo sem nada dizer.
Expõem o desejo e amor da união de dois corpos em um único ser.

A falta de atrito, permite o fim do desgaste,
O fim do choque,
Mas produz a situação mais não natural possível,
Fazendo com que sons anteriormente mencionados não
Possam vir a ser.
Tanto pela falta de um estimulo para a produção destes,
Como pelo fato de no vácuo não existir matéria.
Para que, além do monótono pulsar da artéria,
Haja algo por onde se propagar.

E o atrito pode fazer, além de tudo,
O excesso frear,
O amor sair da mente e virar ação:
O simples exercício físico do que há no coração.
Amor este, que tem o atrito como ator de sua representação.
Que o tem como intermédio de sua propagação.

Analogamente, o atrito é para o amor,
O que a matéria é para o som.
E cá, sem atrito, sem matéria,
O resquício de amor, se converte em dor.

Pois não pode representar, não pode propagar.
O que adianta amor, sem poder amar.

O infortúnio do vazio, poderia ser almejado, quando se queria luz e calma.
Mas não há motivo almejá-lo,
Quando a luz vira coadjuvante e o amor personagem da alma.

Ao imbecil, impedido de saciar o mínimo que sua essência pede
Só seria interessante ter o vácuo como sede,
Se não amasse ninguém.
Mas se é imbecil e tem anseio, é porque ama,
Então o vácuo não é nada além do que seria para um doente
A cama.

Queria sentir o cheiro das flores, de vida, de tudo.

Mas só tenho luz, de fontes não confiáveis
Estrelas duvidáveis, que possivelmente já explodiram há anos.
E de que adianta essa luz se não há o que iluminar? 
Repito: o que adianta amor, sem poder amar.

No vácuo, louco e lúcido.
Paradoxo inquestionável.
Na vida, bobo e estúpido
Pelo amor altamente inflamável.

A chama não chama mais quem deveria.
A fama importa mais que a garantia.
O homem não é mais humano.
Ora se tem sanidade e o vazio,
Ora se é feliz, amando e com conhecimento distorcido,
Inútil... Em vão.

A inconformidade para com o que sempre foi o mais lógico possível
Mostra como falar que o amante é insano é totalmente plausível.
Devaneios prazerosos ou lucidez corrosiva?
Eis a questão.

João Gabriel Souza Gois, 24/11/2010.