quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Impuro.

Há duas maneiras de usar a linguagem humana e sua lógica intrínseca racional para desconstruir a razão fria ou a verdade empírica. A primeira se chama poesia, a outra: filosofia.

   O pior não é como fulmina. Talvez como fulminou? Acho que como fulminará pode ser preponderante... Questões infinitas que fazem os eufóricos saberem que estão vivos por coisas muito maiores do que a dúvida. Acho que os gênios, principalmente os cartesianos, só puderam tanto por se permitirem tão pouco...

   Me pergunto se aquela dúvida - sustentáculo da vida - poderia ser o começo do fim daquela mesma existência. Mais: Que dúvida era essa? Em qual das cinquenta-mil categorias criadas pela ciência e pelo homem fragmentado por funções múltiplas - cada vez mais específicas e por consequência lógica mais alienantes - ela se encaixaria?

  Aos eufóricos, utópicos, românticos e dionisíacos (tão diferentes entre si mas com o suficiente para se sentirem unos) ela seria: por que fulmina?

João Gabriel Souza Gois, 03 de janeiro de 2013.


OBS: Pureza é uma ilusão, por isso o título. Foi a ilusão da pureza de raça que afirmou superioridades despóticas. Foi a ilusão da pureza de sangue que estimulou o anarco-status-quo das nobrezas absolutas e divinas(havia Estado, mas não para "Eles"). A ilusão da Razão pura acarreta em verdades absolutas, nenhum consenso e repulsa a debates, fatores por si só importantes para descobrir parte do que está desconstruindo o homem como indivíduo isolado, e ele respondendo imaturamente sendo egoísta nas causas imediatas e locais porém mais dependente do todo nas de longo prazo e globais. A supravalorização da inteligência matemática e técnica e dos testes de Q.I são uma consequência de uma espécie de talento que foi útil para um modelo econômico, apenas isso.

E a única maneira de soar compreensível sem excessos nos termos, é tendo um objeto de linguagem... Resumindo, a linguagem exige um objeto. A linguagem é objetiva e racional. Os maiores gênios, os mais inteligentes - ao meu ver - são os que a usaram, para de maneira metalinguística, desconstruir sua essência inerente - a razão (Usa-se a linguagem para desconstruir a razão, que a tem como essência). Daí o trecho em itálico no começo. 


Feliz ano novo! (:

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Borboletas Brancas


Sinto comigo, agora, que a criança não está morta.
Sinto conosco uma nova semente à porta.
Sinto uma grande nova safra em uma pequena horta.
Sinto calor (FINALMENTE!) do ventrículo até a aorta.

Realidade embriagada de Devir,
nunca seria uma realidade morta,
mas se sempre permanecer no ciclo da culpa que corta
a alma, a calma e paciência do saber nunca poderão vir.

Sem servir,
serviço cem porcento.
Sem Devir,
vida de lamento.

Momento e enigma são muitas vezes sinônimos,
e os gênios homônimos se dilaceram por não se aturar,
mas um desses gênios, por o outro herdar,
a ele estará fadado a amar.

Não adianta me desafiar com esse desdém,
não adianta afiar a navalha e cortar alguém,
A educação por ironia aprendi com Machado e não com o choro de Kafka.
A maturação pela filosofia escolhi, não me mudo por uma nula causa.
Mas se causa e consequência são a lei do seu mundo,
sinto muito em te olhar como se estivesses imundo,
mas queria muito poder te pegar pelo pulso,
e fazer de você um embriagado nessa sinfonia de arte eufórica,
nessa fuga do mal do século que se confunde - e com razão - com a fuga da babilônia.

Senti o cheiro de sua nova colônia,
mas sua essência intrínseca e que só a ti pertence ainda me puxa,
não mais para baixo, acho eu,
mas para algo que dentro do meu
espectro interior desencadeia no ideal de tu.

Ideal de tu,
é o que amei,
e seria injusto dizer que te amei,
se amei uma ideia e não a carne,
se amei o que Eu julgava tua alma.

Ah, belo reitor de meus valores,
democratize meu universo,
pois se não decreta a abertura,
eu mesmo me abro a cada verso
e desconverso seu medo
para mostrar que mais cedo
ou mais tarde
o calor que finalmente arde
esta sendo liquefeito não só em lágrimas
e naquela melancolia
d'outro dia,
 que me auto-destruía.
Mas está sendo refeito em dádivas
daquele novo dia pelo qual chorei embriagado,
e que pronunciava no pensamento (e para minha artesanal e auto-biográfica alegoria)
que era um novo, apesar de cheirar a velho.

Meu velho e minha idealizada princesa,
assustei-os, pois sinto-me autônomo!
E grito ao meu gênio homônimo
(Meu gêmeo de outras décadas)
Não estou bravo com vocês,
pois me submeti por opção,
e não foi por sorte que gritei a vocês dois:
Independência ou morte!

Cá estou vivo, e com muita pendência,
mas esse calor que cerca minha essência,
é o combustível pelo qual a depredada alma,
(até então submetida a corrente negra do zeitgeist apocalíptico)
finalmente reconhece existir em si, para si,
existencialistamente
coisa e gente.

Só coisas são autônomas,
E que coisa é essa que eu tinha que nenhum dos suseranos queria em mim?
Não sei, mas juntei todas as forças divergentes dentro do eu e as articulei numa revolução!
E pós-revolução, toda conjuntura é bagunçada,
mas sempre clareada, por uma imponente esperança.

Esperança é o combustível.
Me sinto Incrível! Ingrid, faltou pouco para você ver que ele existia também em ti,
esqueceu que dentro de ti, (Oh! Maravilhosa Poetisa!)
A criança não estava morta.

João Gabriel Souza Gois, 20 de dezembro de 2012.




OBS:  Escrito após assistir ao filme Borboletas Negras, ler o começo de A Imaginação de Jean-Paul Sartre, ler metade de Carta ao Pai de Franz Kafka.

O título conversa mais com a crendice japonesa, mas a oposição do termo em relação ao filme, fica, na poesia, mais claro ao longo dela. Esse poema também dialoga com o meu último (Quando não tinha medo?).

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Quando não tinha medo?

Essa maldição de virar adulto, que passe longe!
Vou ser eu uma criança fingida,
mesmo que atingida
pelo desdém dos acomodados no deleite do sucesso pontual.

Do sucesso "última conquista".
(Parece vida-revista! A vida é um Livro!)
Desse sucesso que busca uma felicidade velha e tão fatigada de modelos, eu me livro!
Desse sucesso que alimenta Narciso e ignora os erros; me privo. 
Do excesso de sucesso que fracassa quando o todo avista.

Aprendendo calma com o monge,
Amor com a ferida,
Aprendendo vida
com sabores que transcendam o rotineiro doce e sal.

Serei criança, mesmo que passe por perdido aos olhos do hoje.
Lunático ou impotente aos olhos de visões e opções previamente cingidas.
Criança de barba. Que nada na maré amanhecida.
Refém da maturidade sem molejo representada no palco social,
esforçando-se para lembrar que um bom beijo, vale todo o carnaval.

Para você, que apodreceu de tão maduro,
me desculpe, se soei duro,
Para arriscar nunca será cedo,
Pois sempre houve medos.
Sempre ouve os medos?
Criança só faz pergunta!

Entro num corredor de nostalgia,
vejo dedos entrelaçados,
Sempre dedos desgraçados!
Desgraçado desde o Sempre?
Criança só faz pergunta!

Ser criança é bom mas cansa...
Criatividade. Cria. Atividade. Cria. Atividade.
Criação. Cria. Ação. Cria. Ação.
Crianção!

Por isso estamos mortos e sem filosofia!
Viramos "adultos-compromisso-meio-dia".
E quando alguma criança se predispõe a combater a vida presa e desconjunta
estimulando o mais lindo comichão: O da pergunta,
Quanto retiram do tempo além-labuta...

... Quanto se livram do stress pós-multa?
Para começar alguma criação oculta?
Para estimular a criatividade adulta?

Filo (amor), hoje é por quilo.
Fi-lo porque qui-lo...
Por que qui-lo?
Desastres de Sofia...

Faço parte do filo Sofia...
Filo utopia...
Filantropia?

Classe média.
Reino Animal.

Desastres de criança...
O que fazer se
Literatura d'outro dia esquenta a lembrança?
Aquece! Esquece...

Mais perguntas?
Lacunas...
Pois é Lacan; Lacunas...

João Gabriel Souza Gois, 30/10/2012

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Amargolência

Escondido pelas cascas de um mistério inútil.
A polpa dessa fruta
está azeda e quer ser doce.
Mas quanta dificuldade
para simplesmente ser.

Serei eu então o que não sou
ou simplesmente não me permito mudar?

A cada novo passo
consigo ver defeito,
em cada novo feito
desmereço o traço.

E de tantos trajetos
e projetos
não escondo a minha cara
e escondo a causa
com falanstérios
e fantasias
de outros dias.

Parei no tempo
e sendo assim
de mim sinto raiva
de nada isso adianta
de tudo isso atrasa
e o relógio passa
e profundidade
não há nessa piscina raza.
Arrasa
a minha folia tão amada
e desautoriza
qualquer felicidade.

As palavras que não saíram
agora me atormentam,
e o lamento
deixa lento
o movimento
que desatento
traço na imaginação
e o chão é velho
como eu nessa lamúria
que incendeia a fúria
e não da energia
para que a epifania
e a alegria
de qualquer prazer e poesia
seja respeitado dentro dos limites
inteligíveis dos sentimentos humanos.

Assumi o papel de acumular
as dores supostas de outro lar
e inundar meu eu
do que foi feito ou que deveria ser feito.

Olhos nos olhos
não são uma opção,
pois os meus voltam
pra velhice do chão
e me esquivam,
privam,
do que é público.
Do calor entre nós todos,
nós tolos,
que andamos por aí,
e pelos cantos não deixamos de sorrir,
mas desmerecemos o porvir,
por querer resistir
à opressão
que algumas palavras de alguma canção
algum dia negou.

Não me dou,
pois me vendo,
e escuro, penso
que só pensei
e pausei as ações
que trouxeram tantas emoções
hoje questionadas.
Questiono o nada,
e nada responde.
Onde?!
Onde?
Onde começou?
De quê adianta saber?
Se o resultado mais assustador
que foi a pausa total depredada pela dor
já foi alcançado.
Cansado.
Mas de quê?
Se falta tanto para se ver
e estou errado,
pois direito sem dever,
faz o dever tão condenado,
e o ser tão perturbado,
que não reconhece seu valor.

Faça-me um favor,
ressurja!

João Gabriel Souza Gois, Agosto de 2012

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O Absolutismo do Lucro


    Desde que comecei a estudar para o vestibular, abaixei a bola de escrever algo sobre a maioria dos assuntos que me interessam - pelo menos por esse veículo (meu blog) - justamente por ficar, geralmente, diante do abismo da incerteza, no momento em que é difícil tomar partido, afirmar com veemência e acabar - como já aconteceu em textos anteriores - na conclusão mais relativista possível. Por estas razões, acabei por ficar um tempo inativo.

    Não obstante todos esses fatores, ainda permanece o mínimo da opinião e o máximo da parcialidade em meu espirito blogger, para não deixar de escrever com o intuito de expressar a minha opinião para quem se atreva ler.

   Existem assuntos diversos que me fariam escrever nesse momento em que resolvi sair da estagnação relativista em que me encontrava; usarei justamente um dos que mais confrontam com tudo isso: a moral.

   Acho necessária a existência da moral (No campo do Direito), justamente para fugirmos da prisão relativista da incerteza e nos organizarmos de uma maneira que favoreça o bem comum (mesmo não acontecendo na maioria das vezes), seja ele como for, dentro dos limites das vontades humanas(das animais às cívicas). Porém o excesso e o apego dogmático ao moralismo absoluto - com excesso de decretos, postulados e mandamentos-, levaram pessoas a bloquear discussões de determinados assuntos e questões importantes que surgem com as mudanças de geração, tecnologia, organização política, na lenta linha de transição da história, que levou, por ironia do destino, os mesmos homens que mataram cristo a o idolatrarem (em tempos diferentes) - os ocidentais filhos da Roma e Grécia Antiga (filhos por opção, diga-se de passagem).

   Esses mesmos homens viveram, dentro do mesmo molde socrático-platônico-cristão, diversas doutrinas, filosofias, metodologias interpretativas e conflitos. Os empresários burgueses - que triunfaram durante o séc. XIX - condenaram a prática colonialista do Antigo Regime, mas foram os criadores das neocolonias imperialistas. Os liberais que condenaram o monopólio absolutista, consolidaram o capitalismo monopolista.A baderna fiscal dos mercados desregulamentados faz a parcela mais pobre da população - que vivencia a Crise - pagar a conta com corte de gastos. A mesma Inglaterra que traficou Negros e Ópio, condenou tais práticas. Diversas são as incoerências morais, sempre moldadas por interesses conhecidos mas nunca antes esclarecidos. Dentro do capitalismo, o que seria preponderante na influência da mudança doutrinária, dos valores e da moral, é como ela pode influenciar pensamentos e comportamentos determinados de maneira a produzir mais lucros ao sistema e condenar as possíveis barreiras do lucro.

  Cada vez mais, pessoas que sofrem com diversas consequências de abusos elitistas no sistema capitalista, ora não compreendem e acham que tudo são fatores externos incontroláveis, ora se revoltam - como na Espanha, Grécia e Inglaterra - de maneira desarticulada. Independentemente do que possa ser verossímil quanto a ideologias e políticas do mundo afora, conforme a tolerância cresce, a intolerância reage de maneira fervorosa. E os contrastes evidentes estão tanto na popularidade da Parada Gay e o repúdio popular ao PLC 122, quanto na presença de países exportadores de armas - que lucram às custas de conflitos étnicos, principalmente na África - no conselho de segurança da ONU. Enquanto a globalização une mais pessoas distantes e torna mais homogênea a cultura e os costumes (por prover uma infra-estrutura e lógica de mercado interdependentes e semelhantes em diversas nações, gerando intersecções no dia-a-dia produtivo entre as antes culturas paralelas - como já preveria o materialismo histórico - além de tecnologias novas de integração virtual e acesso instantâneo), a islamofobia e o neonacionalismo reagem.

  De certa maneira, esse mundo "unipolar" que tanto ressaltam os neoliberais, espalhou suas forças e seus poderes e atingir um alvo - para qualquer tipo de articulação - se tornou a prática mais difícil para qualquer militante partidário ou cidadão engajado. Mais difícil ainda seria - em sociedades de consumo há muito tempo consolidadas - relevar outras questões que fogem do movimento de supravalorização da política econômica, que possui a necessidade de ser regulada a todo momento para não haver distorções nos mercados e na vida cotidiana da sociedade civil.

  No caso da sociedade brasileira, alguns grandes traumas econômicos vieram logo após a reinauguração da Democracia, e o moralismo que advém de um passado colonialista, religioso e recheado de aspectos autoritários geralmente diminui sua participação efetiva, ou se espelha no pensamento técnico-burocrático para resolver a questão apenas com voto, geralmente decidido por critérios meramente econômicos ou personalistas (Personalizam a eficiência dos candidatos e não olham os possíveis novos discursos que surgem).Parte desse problema é estimulado pela mídia de massa, que geralmente enfatiza a política econômica como preponderante e demonstra questões cívicas por um viés do senso-comum. (Há alguns meses, uma reportagem da Rede Globo que demonstrava a crise diplomática entre Brasil e Espanha terminou com uma comparação esdruxula das economias, mostrando as relações entre desemprego e outros dados macroeconômicos, que dão um sabor de vitória ao patriotismo brasileiro, mas que ignoram o fato de o problema lá ser conjuntural - e não por isso menor - enquanto nossos desafios para consolidação de um projeto de nação são de infra-estrutura e também na área dos direitos civis, que com certeza demorarão muito mais tempo para serem discutidos, reavaliados e reformados).

 Uma solução que vem sendo popularizada - que ainda incomoda parte dos setores que diminuem suas responsabilidades sociais com a polícia - são os movimentos sociais, que apesar de muito criticados (dependendo do grau de polemização do assunto) conseguem, no longo prazo, trazer discussões que antes eram deixadas de lado. Apesar de existir uma certa vitória cívica quanto aos direitos em casos como a aprovação da união civil para homossexuais e outras propostas que estão por vir, o fato de boa parte do trabalho ter sido feito por um Supremo Tribunal Federal em vez de ser votado na Câmara dos Deputados faz do Brasil - que está crescendo e tem seus problemas cada vez mais evidentes, o que é bom para sua revisão e reformulação de critérios para formação de políticas - um país que possui uma certa distorção quanto ao poder legislativo, limitado à interesses ou convicções que reduzem a plenitude que um debate envolvendo a legislação deveria assumir. Isso tudo é um dado muito importante para refletirmos em como nossa democracia ainda é jovem e possui baixa participação ou envolvimento no que se diz respeito ao Todo da nação.

 Podemos aproveitar parte do que já existe para a mudança, e as grandes discussões devem ser encabeçadas pensando no projeto de Sociedade que pretendemos formar (Um projeto que esvazia o consumo totalmente seria inviável no mundo de hoje, pelo menos enquanto permanecermos circundados de economias abertas). Para isso a relevância das Universidades deveria ser estimulada e o Capital privado - que é muito útil para resolução de problemas estruturais (inclusive no ambiente universitário) - deve ser limitado de maneira a permitir que as pesquisas mais amplas possíveis possam existir e apoiem a sociedade civil nesse projeto, não só participativo, mas de Nação. Muitas reformas precisam existir ainda para diminuirmos a tendência de "Projetos de Poder", porém as Estatuintes universitárias presas a tempos mais antigos que a própria Constituição mostram um descompasso em que a universidade pública (e não estatal!) acaba ficando submissa à políticas governamentais, e menos livres no que deveria ser seu maior intuito: Extensão e pesquisa.

 É inegável que o capital privado é mais acessível e útil para aceleração das soluções estruturais, porém em muitos casos acaba por limitar as pesquisas aos seus interesses e o ganho do curto prazo constrói mais fronteiras para um projeto de universidade almejado - no longo prazo - por boa parte dos acadêmicos. Os docentes e discentes deveriam possuir uma maior expressividade no poder político da autarquia, mas a centralização do poder em um ambiente de pesquisa é uma perda lamentável justamente pelo fato de existir ali um antro com potencial de avaliação e planejamento muito rico e ignorado. Ainda existem problemas estruturais claros, porém a distorção na qualidade das salas e ambientes, principalmente pelo fato do silêncio e estado de sítio forçado no ambiente, é uma questão que silencia parte dos alunos, radicaliza o comportamento de outra boa parte e desarticula uma comunidade que só teria muito a ganhar em união.
 

 Sintetizando tudo, seria simples e simbólico demonstrar e reforçar a ineficiência do capitalismo nos tempos de hoje, em qualquer âmbito que ele se mostre ineficiente, porém heranças da Doutrina Truman ainda bloqueiam certas críticas que poderiam ser construtivas para a criação e consolidação, não só de uma participação política mais encorpada, em conjunto e no entorno da universidade, como para a consolidação de projetos com visões mais abrangentes do que os limites do excessivo pragmatismo, que atropela parte da Ética ou do bom-senso mínimo do campo dos direitos Humanos.

Além da riqueza anunciada - dos últimos anos de estímulo ao consumo - o Brasil possuí um patrimônio cultural que advém de sua miscigenação histórica e que acaba por ser estigmatizado pelos meios de comunicação, assim como diversas minorias que confrontam seus interesses com o moralismo da sociedade civil. Há ainda diversos caminhos e projetos que são banidos não só pelo moralismo preponderante, mas por conta do que gosto de chamar de Cidadãokanismo (ou falácia do winner/loser)

 A real participação e envolvimento da sociedade civil nas mais diversas questões é mais do que necessária, mas o entendimento dela geralmente é limitado pelas circunstâncias econômicas ou falsas dicotomias morais. Enquanto o desinteresse pela política limita as possibilidades de mudança nos rumos do país, as decisões dos órgãos do governo (que tendem a demorar mais para mostrar resultado na prática) são desmerecidas em contraste com as grandes obras do meio privado (Nosso deslumbre com as grandes obras tem influência do pensamento escolástico de Aquino, imanente na nossa primeira concepção de universidade como hoje conhecemos. A expressão artística desse pensamento é visível nas arquiteturas góticas) e o que resta de um povo (Demos) que não se envolve é ter o poder (Kratus) submetido aos interesses dos que soam mais eficientes, mais velozes, mesmo que as consequências no longo prazo distorçam as funções vitais do projeto, seja ele de Lei, de Universidade, de partido político ou qualquer outra coisas pontual que, de alguma maneira, afete a sociedade como o todo. Não possuímos mais suseranos-mor, nem nobres. Nossa sociedade tem a individualidade econômica respeitada. Mas só a econômica. Somos livres para ser servos do fetichismo do consumo. Somos entendidos como indivíduos apenas nos limites do consumo. O Mercado - valor supremo, elevado, o novo Deus - justifica e legitima o Estado aos abusos e cortes sociais, nos tempos de crise (esta última, por exemplo, gerada pela própria irresponsabilidade civil do mercado especulativo). Disso, vemos figuras como Mankiw  fazendo, na tragédia ou na farsa, o papel de um Bossuet contemporâneo... O que seria isso senão um Absolutismo do Lucro?


OBS:  Apesar da necessidade de expor uma opinião, nunca deixarei de compreender a diferença de anos passados durante tais mudanças e a transição natural dos valores de acordo com as inovações tecnológicas e de infra-estrutura; ou então as influências de diversas outras culturas nos valores, partindo de uma das ações mais lindas da humanidade: a miscigenação. Porém, para não praticar o famoso anacronismo, deixarei claro que trato dos casos restritos ao capitalismo. E este geralmente interferiu, se contradisse e se impôs no que diz respeito à moral, quando isso ameaçou - de uma maneira ou de outra - os grandes Lucros. Exemplo de pragmatismo excessivo atropelando a ética.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Reconhecendo-me

Finalmente o conheci.
Aquele sem sorriso e despreocupado.
Alienado e péssimo em tudo por volta.

Esquisito,

não sinto revolta de tê-lo conhecido.
É o yin do meu yang,

parte de mim,
e apesar de me desesperar
por não conseguir domá-lo
reconheço nele eu,
e em mim a possibilidade
de equilibrá-lo.

Nessa vida,

classificar não importa.
As visões são extremamente particulares,

porém já vi harmonia,
e verei.

Diminuto.
O eu diminuto que há aqui

não espera a maior ou menor resolução,
sente uma diminuição,
pois o som tenso diminuto,
continua a soar.
Em busca de vários significados e experiências.

Condenando algumas ações e predições
percebi em mim uma capacidade de crescer
além do material de carne que carrego,
além da busca material que buscamos.

Parece uma bagunça todas as informações,

e é inerente
a diferente crendice
às novas e velhas gerações.


É um turbilhão de distorções das memórias,

é uma infalível e desnecessária reconstrução de histórias,
e um medo inerente de enfrentar.
Pois quem enfrentarei?
Sou eu mesmo meu inimigo,

e o carinho a própria alma
é conquistado com a calma
que só em si encontra.

Dez minutos pareceram horas enquanto algumas letras me traziam o mundo.
Dez dias pareceram segundos quando nada parecia ter significado.

E machucado sinto fúria,
E animado sinto desprezo,
mas prezo que essa harmonia,
quando voltar,
produzirá um benefício,
pois percebi outras perspectivas.
Como queria poder mostrá-las de alguma maneira,

mas maneira para isso não há,
só há uma esperança relutante,
que segura e aguenta a cada instante
em que a raiva implode
e a mudança visível aos sentidos
é ignorada pelo indomável desgosto
que, olhe só, durou até agosto,
mas que deu um novo gosto,
para rebuscar nessas convicções
valores importantes que pareciam ter morrido.
Sorrisos encantadores do qual o indivíduo havia fugido
por não respeitar a própria individualidade
e transformar a mais simples situação
numa infinita dualidade.

Parece loucura ou profecia,

mas não é nada além do momento
de reencontro ao eu,
reformado e realizado.
Afinal reconheço o ambiente
mas meu inconsciente é possuidor de muito.
O final desconheço e sou temente

mas meu subconsciente deu final a pouco.
E o que hei de carregar é o fado

de ser um animal racional.
Queria tanto que esses momentos 
em outras pessoas não fossem bloqueados como elas costumam fazer.

Como se pode aprender...

Apesar do ir e vir do arrepender,
crescemos.

O resultado será a empatia interna,

serena, terna e lúcida.
E os falares da fala mais lúdica,

serão tijolos.

João Gabriel Souza Gois, 28/08/2012

Obs: O Terno - Quem é quem

Desencontro

Não troque minha fralda
mas me dê um pirulito.

Não toque minha alma
mas desmonte o meu mito.

Não soque minha calma
pois a Raiva eu imito.

Todos tão potentes em seus dias solitários.
Todos tão carentes em seus sonhos imaginários.

Todos com sua utopia abrangente ou não.
Nenhum deles com o espírito chorando presunção.
E dos momentos que pescam, pecam ao esquecer,
E dos tormentos que negam, pregam ao reconhecer.

Fui lá dentro e agora estou sem ar.
Saí do fundo e está um frio.
Toalha! Pois esse mergulho pressionou meu corpo.
Medalha! Pois reconhecimento não há na profunda confusão.

E isso tudo sou eu mesmo,
bagunça de viveres, prazeres e sorrisos,
e cada passo cabisbaixo quando piso,
representa a redenção ao que ainda vejo
quando almejo
além do quadrado de colocações
que meu sofrimento sem origem
consegui limitar.

Desconforto sazonal?
Problema temporal ou espiritual?
Que de perguntas, minha cabeça dói.

E com respostas, meu horror se desconstrói.
Mas ainda assim, não sei se por mim,

ou pelos outros,
foram poucos os momentos
em que o tempo parece estar tão escuro,
mesmo com sol.
E não chove lá fora,

só chove aqui,
descompasso com o mundo,
ambição que demoli,
e por onde construí-la?
se só de ver a fila
para o primeiro passo,

meu coração em descompasso
clama por uma revolução!
E do conflito resta um mar de não,
depredando a emoção,
para acumulá-la no momento inesperado,
e chorando num canto, de lado.
Escondo essa situação de mim.


João Gabriel Souza Gois, 23/08/2012
Pateando el pensamiento - Troche