quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Amor ancestral.

Estamos fadados a destinos diferentes.
A vida não é uma equação,
onde um valor em vão,
desaba o futuro.


Só sei que o que mais quero no mundo,
é manter o amor eterno.
Diferente daquele que cresce no peito
e que necessita de fatores externos.


Falo sobre aquele amor infinito,
passado desde a admiração
até um jogo de futebol.
Aquele que não pode ser destruído,
nem nunca será.


Respeito demais, admiro sempre,
só não sou obrigado a engolir convicções
que preveem meu destino...
Me revira o intestino
só de pensar.


Quantos erros são cometidos
e compensados pelos desvalidos.
Pinheirinho é um dos exemplos,
do que não envolve nem nunca envolveu talentos.


Acreditar realmente,
que o que impuseram em sua mente,
e forçaram, na prática, a ver em padrões,
prenderia a minha vida em refrões
é algo extremamente demente.


Entenda que aqui é diferente,
que não é com "aquela gente", do filme ou do jornal
que roupam de marginal,
mas com gente que valoriza a palavra,
isso não impede a mão que lavra,
só valoriza os momentos de ócio,
onde posso me dispersar em uma nova realidade,
e esquecer a política, me centrar na arte.


Desprenda-se do óbvio,
desprenda-se da produção,
por poucos minutos.
Desprenda-se e poderá ver o amor,
que aqui existe, e não guarda rancor.


Esse atrito natural entre dogma e pesquisa
não fará jamais eu esquecer e valorizar
tudo que foi feito, pensado e planejado para mim.
Agradeço até o fim, e foi justamente toda essa base
que abriu minha mente para uma fase
onde apesar de inconsequente, me sinto mais eu,
pois nesse grupo social onde me encontro,
ainda assim é difícil ser ateu.


Numa juventude fadada a TV e músicas.inc
alguns conseguiram fugir do que sempre foi vendido
para nossa mente,
e quando isso ocorre, algumas conclusões chegam junto,
vendo que muita gente no mundo,
decidiu escolher alvos como "o mal"
seja o preto, o maconheiro, o gay ou o trabalhador rural.


Já havia dito antes, em outro poema:
"Demente configuração de vida,
resumida em produção e ciência"
"Liberdade de chorar a ferida?
Triste epifania"


Se existe algo mais ancestral que isso,
se existe algo que prova esse laço,
Que NUNCA será quebrado,
aqui está:
Meu medo de falhar,
que mesmo depois de ganhar,
não me faz enxergar a conquista...
Talvez fosse a vontade de ser economista.


Também sou louco por sucesso
e sempre fui.
Acontece que o sucesso
sucedeu cessando preconceitos,
descobrindo novos talentos,
e descobrindo que eles não são menores,
só por causa de um ou outro estigma do senso comum.
O sucesso sucedeu
me abrindo para o mundo,
e deixando de ser o sujismundo
fadado as certezas da engenharia,
às bases sólidas da matemática,
que levaram minha filosofia a ser dogmática,
e na prática, preconceituosa.


Agora, com palavra, se descobre pesquisas,
e novas maneiras de se enxergar a vida.
Pode ser pela perspectiva artística,
administrativa, econômica ou social.
Mas é tudo tão plural!
Para resumir o mundo a fados,
para separar entre fortes e fracos.


Somos todos fortes e fracos dentro de nós,
Temos todos vícios e virtudes,
Não diminua seu vício e aumente sua virtude
para depois fadar o meu e diminuir a minha.


Comecei a encontrar caminho no agnosticismo,
desde muito cedo,
pois fé só meu trouxe medo.
Mas um dos motivos principais
de nunca ter concordado com a filosofia perpetuadora de preconceitos universais
é que ela dizia que eu devia amar um suposto Deus mais que meus próprios pais.


Para mim isso é mais pura piada,
porque me desculpe Deus, mas você não me ensinou absolutamente nada
comparado ao que aprendi com Maria Cleni Braga
 e Luiz Carlos de Souza Gois,
Me deram voz,
E agora falarei!
Da estupidez sou Rei,
Mas não me faça parecer um simples objeto
sendo que o seu "correto" é vendido,
enquanto descubro um mundo de "corretos" escondidos.


Não critico suas posições jamais!
Partimos de um início diferente e somos todos animais!
Deixe a ilusão da civilidade de lado
e entenda que esse amor transcende qualquer ódio
e ele necessita de compreensão.


Reconheço o medo dos perigos,
mas sem conhecê-los não se conhece o universo,
sem eles, não tem graça escrever nenhum verso.
Por isso, antes que mostre minha maior raiva,
minha maior e mais provável contestação
contra um "não" sem motivo,
preciso provar que estou vivo,
e que nada vai me fazer viver em vão.
Só o que quero é amor.
Chega de um mundo de rancor.
Onde se culpa pessoas por sua própria miséria,
onde se postula um mal por interesses privados
e acabam deixando mais destinos fadados.
Nixon criou uma guerra para ganhar eleições
e não para incrustar ódio em nossos corações.


Deixemos de ser ingênuos,
somos todos muito pequenos.
Seremos então amantes eternos,
seja de Dreadlocks ou em Ternos.


Essa é a contra-indicação da sua certeza,
mas prometo que trará mais beleza
ao seu viver,
se fosse eu, apenas mais um
obstinado, postulando fados,
só alimentaria mais dogmas em suas vidas...
Não deixe que a verdade seja escondida,
prometo que não vou jogar fora minha vida.
Só serei como vocês,
em outro tempo,
em outra realidade,
com outras pessoas,
com outros problemas
e com outras virtudes.


Essa atitude de bater de frente,
só traz dor pra toda gente,
por isso perante o preconceito
escolhe-se a mentira,
pois só de pensar, a alma pira,
ao imaginar o amor menor por questões de menor efeito.


Amor é o que sinto.
Discordo ou concordo?
erro ou acerto?
sou transparente ou minto?
Decisões a se tomar...
Vamos agora, vamos enfrentar
e não dar as costas do problema.
Só não coloque um emblema
em minha vida, de que eu sou o problemático,
pois o que fiz, foi fugir do fado podre, autoritário e não-esclarecido
de ser alguém antipático.
De pensameto puramente matemático.
Amor, é o que desejo,
Amor, não me negue um beijo,
que te darei todo o sucesso
que também desejo para todos nós.
Projetos existem,
mas padrões obstinados resistem
toda a espontaneidade necessária
para se ter uma vida arbitrária.


E sem liberdade não construo minha essência.
Por ela lutarei nem que viva a desobediência.
Mas isso não envolve o que eu amo,
o que eu amo eu protejo,
e amor também não envolve projetos,
e sim liberdade de admirar e também criticar.
Me deem liberdade para eu poder amar!

João Gabriel Souza Gois, 16/02/2012

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Ancestral.

Ódio,
pior que ópio.
Destrói discussões,
destrói corações.


Estimulam preconceitos,
ressaltam defeitos,
ignora-se sucesso.
Transborda o excesso.


Ser alguém na vida!
Necessidade iludida.
Pois se para isso, matar o que mais vale na própria vida.
Comete-se suicídio.


E o que mais vale
é o amor, o carinho e o respeito.
E se a intolerância cresce
a tal ponto que a desinformação
transforma, através de dogmatismo,
conforma, atavés do cristianismo,
e isola, através dela mesma.
O postulado como errado,
deixa-se suas grandes obras de lado,
pois agora há ali um destino fadado.


Não há nem nunca houve maior influência,
mas tais laconismos confundem minha essência,
Pois agora vejo se destruir o mito,
do sucesso absoluto. Rito.


Rito insensível que desrespeita liberdades,
rito canibal.


Vivemos no tempo em que lucidez quer dizer rebeldia.
Vivemos no tempo em que sensibilidade é piada.
Vivemos no tempo em que o dogma destrói discussões.
Vivemos no tempo em que...


Em que tudo é feito de escolhas...
Mas encolha
sua sensibilidade,
porque não tem idade pra escolher.


Você viu um quadro parado por mais tempo.
Eu vi por dois segundos, um quadro em movimento!


Porque sempre o amor tem que ser diminuido
por certezas manipuladas?
Porque acordamos ouvindo
sirenes aceleradas?
E não nos perguntamos o que acontece...
Agir no local, se tornar banal e voltar a prece.
Esse é o seu destino 1.
Dispersar-se em contextos, se perder em pretextos e virar marginal.
Esse é o seu destino 2.
Bem e mal. Doce e sal.


Nunca imaginei
que por causa de um ódio injustificado
faria o ser mais admirado
me lançar um olhar de desprezo,
analisar do cabelo ao peso,
para no fim concluir
que quer, e por isso será assim.
E na discussão se põe um fim, com mais uma ordem dogmática.


Estou o pior possível.
Porque tudo que julguei mais incrível,
pra compartilhar, ressaltar e mostrar meu progresso
foi desmerecido pelo mais estúpido regresso,
daqueles preconceitos definidos por divinos.


O mesmo preconceito que colocaram na raça,
e não importa o que se faça,
continuarão a colocar.


Com uma ciência pouco estudada,
mas muito da comentada,
seja pela cor ou pela opção animada,
garantir inferioridade, fado e uma vida encalhada.


África: martír do mundo.
Ponto de parada de negócios,
onde quanto mais se nega o ócio,
mais se mata a discussão.


África: a cultura banida,
a cor reprimida,
o cabelo odiado,
o culto negado.


África: de cabeça ativa,
defendo que vivas!
Nos nossos corações.
Pois existem irmãos que de ti esqueceram,
e mesmo com a pele branca
assumo a missão abandonada,
pois o local não vale de nada,
se só me alienar.


Árida: a cabeça especializada,
que não enxerga nada,
além da realidade de sua ciência mãe.


Ávida: a vontade por tolerância,
pra que o que tem relevância,
finalmente possa imperar.


Rápida: dispersão de lágrimas descontroladas,
por não se sentir valer nada,
por quem mais se queria sentir valer.


Decápita logo essa minha cabeça,
para que eu esqueça de tudo que concluí.
Insira-me um admirável chip novo,
para que o software robótico de uma vida sem valor,
finalmente me faça dar valor ao que nunca teve.
Mate minha poesia, minha espontaneidade
e farei muito dinheiro.
Mate o fenômeno da idade,
e me amargurarei por inteiro.


Duvido que em algum momento,
sofreu a epifania de chorar num por-do-sol.
Duvido que se deu tempo,
de finalmente sentir a alma completa de novo,
não por causa de uma ou outra substância,
que na ignorância,
recebe a alcunha de muleta.
Pois quem vê além do consumo provisório,
enxerga nisso um acessório,
ou o menor dos problemas.


Sintia-me completo finalmente,
porque encontrei nessa gente
sintonia.


Sintia-me completo,
por só sentir overdose de
epifania.


Sinto-me completo, pois tenho poesia.
Sinto-me esperto, não ouse me por fados.
A única burrice, o único errado,
é não esclarecer.
A única tristeza, o único fracasso,
é nunca se rever.


Ressalta-se sempre o próprio sucesso.
Ressalta-se sempre o outro fracasso.


Que culpa tenho eu?
Se resolveram enfiar demônio em tudo?
Fico mudo?
Tenho muito o que fazer, pra ficar a vagabundear,
isso você vai ver, não vou precisar falar.


Não esqueça que o organismo também é um acessório.
É burro, mas também é provisório,
e o que sou está em minha alma.
Por isso não tenho tempo pra tanto ódio,
nem pra informações banhadas a ródio.
Não tenho tempo pra tanta certeza,
pois falta comida em tanta mesa!
E não é nem nunca foi por ousadia
de achar que algum dia,
mudaria o mundo.
Foi só por possuir um interesse,
de deixar (em nenhum outro mundo, mas nesse)
Minha pífia eternidade.

João Gabriel Souza Gois, 14/02/2012

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Valor

Um sim ou o não.
Nada passa do chão,
só vivo o refrão de nunca estar são
e perceber que o que foi já está ali arquivado
e o que vai ser pode tomar todas as proporções.


Eu não diria que a maré ta fraca
Eu não diria que a lua está velha
Eu só diria que há menos lágrima
por toda a terra.


Nada mais choca,
Nada mais dói.
Quem falha perde
Quem ganha é o herói.


O que houve com os humanos
que valorizavam serem humanos?
O que houve com os poucos
que negaram o certo?


As pessoas cada vez mais se decepcionam,
só porque escolhi um caminho
onde sinto meu espírito valer a pena.


As pessoas cada vez mais se condicionam
a botar seu filinho
para assistir ao datena.


Tudo que realmente importa
pra quem realmente importa
é ignorado com palavras de ordem lacônicas,
espartanas.
Espertos mestres da maldade, que manipulam
pra infantilizar o que outros demoraram
anos para articular.


Pobre jovem!
Se és jovem, precisa conhecer a carne,
Se és jovem, precisa conhecer outros mundos,
Se és jovem, precisa errar pra aprender como acertar.
Mas como o fará? Hein! Meu pobre jovem?
Como o fará?
Se tudo que escolheu a si, foram homens da opressão,
Políticos matematizados, algumas doses de whisky e dinheiro!?


Novo acessório no carro,
Novo relógio, novo terno, nova garrafa,
novo perfume, novo óculos, nova conta bancária
e a mesma alma fétida,
ferida.
Ferida por não poder dispersar-se através de novas esferas de realidade,
Ferida por ter se tornado velha, antes de acumular idade.
Alma moribunda por ter negado tudo que há de infantilidade.
Alma morta por ter sido postulada em uma realidade.
Realidade repetitiva, consumista, ignorante e conservadora.
Uma realidade triste e que cada vez mais é mais bem vista.
A realidade da Ordem. A realidade de Deus. A realidade do Sucesso.


Mas que porra de sucesso é esse?
Que só se transmite através desse relógio
e omite uma alma que precisa de cama.


Essa alma se distanciou do coração:
o coração fica do lado esquerdo,
envolto de sangue, calor e vida.
Essa alma está sem apoio, sem chão
está do lado direito,
envolta de medalhas, certificados.
Está corroendo aquele organismo
de maneira que o mesmo ele não é.
Metamorfose.


João Gabriel Souza Gois, 04/01/2012

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O Plano B

Do sexo frágil
uma criança cresce.
No interior
uma idosa falece.


Nas cidades, riqueza é produzida.
Nos bancos, pobreza é induzida.


Nos bares da vida,
amores se desenvolvem.
Nas praças e vilas,
pessoas se envolvem.


As revoluções industriais
cada vez mais acontecem.
Cidades do terceiro mundo,
sem organização, crescem.


E só eu... Eu lírico farsante!
Estagnado e amante,
deixei a translação e a rotação mundana
e fiquei paralisado e de cama.

Apesar de entender e apreciar evoluções,
Cansei de no mesmo calor, perceber revoluções
em que sempre permaneço reacionário
e pessoas que amo, vão...
Sinto-me de pouco valor, sinto-me no chão.

Coisa velha, guardada em armário.


Apesar de todo o panorama, toda a infra-estrutura ter
virado do avesso...
porque só eu pago o preço?
De engordar, estagnar e nunca perceber.


Que aconteceu o melhor. É continuidade.
Que já até virei maior de idade.
Mas que persisto na imagem
Do sonhador de Petesburgo.


Lógico que até a mim, várias coisas mudaram,
É lógico que vários doeres não me alcançaram.
Mas mudar a forma e não o conteúdo,
me faz perceber como permaneço no submundo.
Enquanto todos, diferente de mim - o moribundo-
Se desenvolvem internamente, tanto em si como nos prazeres do mundo.


Estúpida barata,
Estúpida pessoa fraca,
que se apega a sinfonias
e não compreende que epifanias
servem para nos ensinar
e não para continuar
seguindo em frente e sentindo,
mesmo que triste ou sorrindo,
o mesmo gosto que antes,
de coisa pouca, de reserva,
sentindo sua língua, do prazer serva,
sem pensar no que importaria
se tomasse um rumo que poria
o bem estar em outro corpo
e pararia de ser louco
por insistir, gritar e ficar rouco,
por algo tão antigo,
por coisa de amigo,
por pouco...


Também nos envolvemos em amorecos
damos voltas, bebemos, vamos a butecos...
Mas mudança de verdade não vem ao palco.


Assim como um pombo do asfalto,
sei voar alto,
mas insisto nas migalhas do chão.
O plano B virei.
Prazer a toa.
Coisa nem tão da boa.
B
Bosta.
Bêbado.

João Gabriel Souza Gois, 11/09/2011

domingo, 11 de setembro de 2011

Sina de amante

Há tempos que escrevi, mas nenhum momento melhor que esse para postar... Espero que gostem e desculpa - para quem talvez acompanhe - a demora... =]

Sina de Amante

Não me interessam os papéis,
nem a lei que eles representam.
Símbolos, contratos, anéis
ou palavras que comprometam.


O que interessa é que mesmo
que haja frequência ou não,
é apenas pelos olhos que se enxerga o coração.


Imagine que estou louco
e vejo coisas.
Prove-me que são ilusões!
Eu acredito, pois vejo.


É dessa maneira que através daquelas janelas
enxerguei um amor reprimido...
Talvez fosse ilusão!


Mas chega de sequelas!
Daquele momento volátil, tudo que foi sentido
foi intenso. Vale a dilação.


Formalidade.
Prumo.
Nada disso define amor.


Liberdade,
Juntos.
Explodindo o Calor.


Sei que não há o que possa ser escrito,
para manter claro o que se passou comigo.
A poesia é sempre mais ampla que o poema
pois nunca entra no dilema
de se limitar em letras, palavras ou línguas
E por isso essas sempre são mais longínquas
no que se diz conteúdo... Substrato.
Retrata melhor o sentimento, por ser, assim como ele, parte do abstrato.


Mas de qualquer maneira,
em qualquer poema haverá poesia.
E por meio dos limites da palavra,
como poeta amador, descrevo a epifania
da explosão do que não está mais preso mas que permanece
apenas nos momentos de proximidade.


Olhos! Janelas d'alma.
Não me digam que é mentira o que vi
pois sei que é mútuo o que senti
e assim despejei essência, respirei calma.


Com o corpo ainda em quente ardor,
Sussurro versos de outrem, com rosto ainda rubro
"Como eu te redescubro,
Amor"

João Gabriel Souza Gois, 03/07/2011

segunda-feira, 13 de junho de 2011

O Mais novo dos Testamentos.

No oitavo dia, Deus criou o paradoxo
Para apreciar o desnorteamento do homem,
E a partir disso apimentar a monotonia de uma vida sem questões,
Criando as teses e antíteses para padrões e refrões.


No oitavo dia, Deus fez a razão
E junto a ela a complexidade
para gerar conflitos e proximidades
nas vertentes que estavam a se criar.


No oitavo dia, Deus fez o instinto,
Para criar arrependimento no faminto,
E o prazer em tudo que se possa existir,
Permitindo que a poética e o eu-lírico, da prisão do não-ser pudessem sair.


A partir da palavra e das condições criadas,
Foi acordado o homem, e toda sua espécie,
E recuando diante de tanta grandeza, recitou uma primeira prece.
Daí então a humanidade é consolidada.


As ações para os "homens" estão em alta.
Pois no Diário de Deus suas poucas palavras que permitiram a vida
Estavam, diante de tantas criações humanas, oprimidas.

Em pouco tempo, diversas criações humanas direcionaram
o pensamento pagão.

Deus Sol, Deus Mar e Deus Trovão.
Porém pensar no único Deus criador,
Só apareceu - como Lei - com a Igreja Católica como instituição.

E apesar de manter sua criação de palavras e de novas existências,
boa parte dos componentes que permitiram tantas eficiências,
Os 'iluminados por algum deus' reprimiram.
Pois para essa Instituição, a salvação era negar
O paradoxo, a razão e o instinto.


Do Diário de Deus que listava as palavras da existência
O homem negou todas e as transformou em heresia,
Pensar no paradoxo e na razão científica que confrontasse a Igreja,
Agir com instinto e mencionar o que o comprovaria,
à morte levaria, pois a morte é o que a Igreja almeja.
"Sem morte não há ressurreição, e sem ressurreição não há Igreja"


Desde que ela surgiu, o homem assumiu o papel de Deus
e Deus, de maneira radical se entristeceu,
O maravilhado pelos feitos do homem se sentiu - pela primeira vez - ferido.
E agora via os elementos da criação humana:
paradoxo, razão e instinto
Sendo - pelos humanos - proibidos.


Tão perto dos Humanos viveu,
Tanto de sua filosofia leu,
Tanto de sua arte contemplou,
Que o mais puro ódio em si acumulou


No auge do poder do Papa,
Deus estava inconformado com o esquecimento do oitavo dia,
e do obscurantismo que a Religião Suprema distribuia.
Não é porque criação artística e filosófica não havia,
Mas porque contestações, dúvidas e diálogos
que tornaram possível e construíram tudo de maravilhoso,
A Igreja não permitia.
Por causa da negação de várias outras  criações possíveis.
Da destruição de livros e obras incríveis.




A morte, a pobreza e a opressão, desta vez tinha algo de inédito.
Dava-se a Deus, todo o crédito.
Pois em nome dele os homens determinaram funções solidificadas,
E nessas funções, como sempre na história, as maiorias eram exploradas.


Para o criador dos elementos básicos e da primeira palavra falada.
Foi tanta a dor, coisa que antes não tinha sentido,
Que diferente estava, e o mesmo já não era,
Não lembrava mais da verdade, só tinha dúvida, e além dela nada.


Sob pressão da culpa de mortes que eram anunciadas em seu nome,
e agora, perdido, não mais onipresente, começou a sentir algo que antes não sentia.
A angústia e a revolta era tanta que em sua santidade não cabia,
Que cada vez mais sentia-se homem. Homem era!
Era carne, paixão e rebeldia!


Esquecendo do que fora, mas lembrando do que sofria,
Atribuindo a si, sem nem saber o porquê, a culpa da morte de tudo que morria
Sentiu-se de alguma maneira sábio e forte, para combater essa hipocrisia.
E para tanto, apelou para a heresia.


De tão humano que se encontrava Deus,
Foi Ele o primeiro dos Ateus.
E seu fim mortal, em plena Idade Média, não era difícil de se prever,
Morreu no fogo, que já o fez chorar num passado antigo,
Quando diante do frio e do medo, o homem o manipulou e afastou o perigo.
E enquanto Deus ardia em nome de Deus, se lembrou e pode ver.
O que foi, o que era e o que viria a ser.
E desta maneira percebeu, que aquela repressão,
Sofria por não ser cristão.
Pensou que um dia ainda há de se entender isto!
Pois em toda eternidade, nunca conhecera Jesus Cristo!



Nesse momento, o homem tinha praticado um paradoxo inquestionável
Tornado a maior e mais impressionante santidade, vulnerável.
Deus, o todo-poderoso, havia criado uma pedra tão pesada, que não pôde carregar,
E percebendo a prática do paradoxo renascida, desatou a chorar.
Pois junto a tudo que havia na composição do homem,
Do Carbono às angústias,
Havia uma alma que destruiria qualquer tentativa contrária
a ter uma vida arbitrária.


Mas essa liberdade, inevitavel e existencialista
ao homem corromperia

Pois Deus de si mesmo, este seria.
Mesmo que poucos tivessem acesso a tal epifania...


Deste episódio, o que restaria era um mundo de acasos.
Sem mediador nem perdão aos que pagam fora dos prazos.
Mas também de liberdades incríveis, do íntimo e individual,
Fazendo do homem, superior a si mesmo, e portanto intelectual.


Deus, enxergando tudo, sofreu e sorriu,
Pois sem Ele, o homem bem prosseguiu.
Exploração, em seu tempo de santidade,
Nunca foi uma grande novidade.
E fora isso, o que via de perigoso para o homem,
Nem eu, nem você saberemos, enquanto não irmos de ser a não-ser.


Mas quando Deus menos percebeu, seu pulso cessou,
Pois essa sequência de visões e recordações.
Foi uma epifania de pouca duração, traduzida em diversas emoções.
E assim sendo, o ser humano, matara quem o criou.


Em todo tempo de seu mandato
Deus ao homem havia se dedicado
E por isso que nem no momento mais delicado
Pensou em criar um lugar para reverter o fato
De que o fim chega e para algum lugar se deveria ir...
Portanto de tanto a vida maravilhar, da morte esqueceu-se de intervir.

Por isso o fim dessa estória curta
Há uma verdade que não há quem discuta:
Deus não passou para nada além
Pó e carvão. Amém.


João Gabriel Souza Gois, 03/06/2011

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O Devaneio.

Pouco exótico, muito egoísta.
Crítico cético, pensador misticista.
Fraqueza aos montes.


Típica visão de mundo simplista.
Muda como o vento mesmo que persista
no dizer de antes.


Repertório razo como os cabelos
serão um dia, mesmo que sem sabedoria.
Feliz pessimista.


Vêm prantos sem motivos para tê-los.
Tentando torturar-te com tal fantasia
de mente capitalista.


Demente configuração de vida
resumida em produtividade e ciência.
Fim da sinfonia.


Liberdade de chorar a ferida?
De negar capacidade e eficiência?
Triste epifania.

O que sou não passa dos limites do Eu.

E limites são sólidos e concretos.
Mas não será por esses e outros decretos,
Que deixarei de poder transceder de mim rumo 
Ao outro, ao novo e à felicidade sem prumo,
Sem as paralelas ou os ângulos retos. 
Com pouca medida e muito afeto. 
Gozando de tudo, sem pensar no que morreu.


Saciando através de mim
todo o mundo.
Criando trabalho e amor,
num segundo.


Produzindo para nós todos,
mais riqueza.
Riqueza de ser, respirar
com agudeza.


Longe da de caça e presa,
sem outrem.
Valorizando indivíduos.
Amor, vem?


Construiremos uma nova realidade
que valorize cada particularidade.
E crie um todo perfeito e inabalável.
Um amor total, ideal e interminável.


Para que nessa comunidade harmônica,
Haja espaço pr'um amor de qualquer maneira:
da aristotélica à platônica,
da descontínua até a inteira.


Abro meus olhos, 
Tiro pestana.
Abro a persiana,
Volto ao mundo.

João Gabriel Souza Gois, 11/05/2011.